O Impacto do Calor nos Dispositivos Eletrônicos: Por Que o Aquecimento é um Inimigo
A construção moderna dos smartphones e outros eletrônicos é incrivelmente complexa, dependendo fortemente de materiais aderentes para garantir a integridade estrutural e a miniaturização. Essa dependência de colas e a dissipação de calor são fatores cruciais que afetam a longevidade dos aparelhos.
O Papel da Cola na Montagem Moderna
Em demonstrações de desmontagem de dispositivos, como os vistos em análises técnicas, é comum observar o uso de uma mesa de aquecimento. O aparelho é mantido a temperaturas que variam de 80º a 120º Celsius por vários minutos. O objetivo desse aquecimento é tornar a cola interna mais suave e maleável, facilitando o amolecimento e o corte para separar componentes, como o display.
Após o aquecimento, com o auxílio de uma palheta, a cola é cortada, permitindo soltar os conectores. Em alguns modelos, o display se solta com relativa facilidade, indicando a eficácia do aquecimento na degradação da adesão. Ao observar atentamente, é possível notar resíduos negros e viscosos ao redor do corpo do aparelho. Essa substância, que um dia funcionou como adesivo forte para fixar o display e outros componentes, é a cola.
Este método de montagem é padrão em diversos dispositivos recentes, incluindo iPhones, Galaxies e Motorolas. A produção contemporânea, seja em 2023, 2024 ou 2025, segue um processo de montagem e selagem muito moderno, que resulta em uma dependência significativa de adesivos.
Consequências do Calor na Integridade Estrutural
A constante exposição a ciclos de aquecimento e resfriamento — gerados pelo uso normal, carregamento ou exposição ao sol — deteriora essa cola gradativamente. Com o tempo, essa deterioração pode enfraquecer a fixação, a ponto de o celular parecer que “abriu como uma flor”, com a tela se separando do corpo.
Embora o uso de cola diminua a necessidade de parafusos e travas, otimizando o espaço interno, ele compromete seriamente a reparabilidade dos aparelhos.
Dentro dos eletrônicos modernos, 100% do espaço interno é preenchido com componentes minúsculos, sensores e inúmeras placas. A união de muitas dessas partes ocorre por meio de solda e cola, e não apenas por fixadores mecânicos. Muitos componentes, como o processador, são fabricados separadamente e unidos na montagem final com soldas que envolvem metais que, em algum estágio do processo de fabricação, foram líquidos e depois solidificados.
Essa união por solda e cola é vantajosa para a otimização de espaço, leveza e tamanho, mas a integridade desses materiais é diretamente afetada pelo calor.
O Calor e os Componentes Eletrônicos
Todos os componentes eletrônicos geram calor durante a operação. O processador esquenta ao executar tarefas, e até mesmo a tela, ao ser utilizada para assistir a um conteúdo, aquece acima da temperatura ambiente.
A condução de eletricidade sempre dissipa calor devido à resistência intrínseca dos materiais. Embora em um celular essa resistência seja mantida no mínimo para otimizar a passagem de energia, ela ainda existe.
Em áreas tão compactas, não há espaço suficiente para dissipar o calor de forma eficiente. Em processadores, por exemplo, as imagens térmicas mostram que o centro do chip aquece intensamente, pois a área é muito pequena para trocar calor com o ambiente.
Quando um aparelho é deixado no sol, especialmente dentro de uma capa protetora e ainda por cima carregando, as condições térmicas se tornam críticas. O calor externo se soma ao calor gerado pelo trabalho interno do processador (como uso de GPS, navegação ou aplicativos pesados), levando o dispositivo ao seu limite térmico.
Essa sobrecarga de calor pode comprometer as soldas que fixam os componentes na placa. Já houve casos relatados, como em certos modelos da Xiaomi, onde o calor extremo no Brasil levava o processador a um ponto crítico, exigindo serviços especializados como o *reballing* (refazer as conexões de solda do processador à placa) para corrigir falhas causadas pela expansão e contração dos materiais.
Comparativo de Tamanho e Dissipação
A importância do espaço para a dissipação térmica fica clara ao comparar um celular com um tablet que usa o mesmo processador. O tablet, por ter um corpo muito maior, possui mais área para dispersar o calor, conseguindo pontuações de *benchmark* mais altas por não sofrer *thermal throttling* (redução de desempenho devido ao superaquecimento). O processador pequeno do celular, confinado em um espaço reduzido e rodeado por cola, não tem para onde enviar o calor gerado.
Em aparelhos com resistência à água (como alguns modelos mais antigos da Sony), o design com corpo em vidro e selagem rígida pode piorar o isolamento térmico, fazendo com que o dispositivo superaqueça rapidamente em climas quentes e desligue para se proteger.
O calor prejudica os eletrônicos porque ele agrava a produção natural de calor do próprio sistema e, devido à falta de espaço e à presença de colas, impede a ventilação adequada.
A Questão da Reparação
A dependência total de cola e plástico, como visto até em produtos como os primeiros AirPods (montados quase que exclusivamente com adesivos), resulta em dispositivos que, ao apresentarem falhas causadas por calor ou qualquer outro defeito, tornam-se essencialmente lixo, pois o reparo é extremamente difícil, senão impossível.
É importante notar que a condutividade elétrica dos materiais muda conforme a temperatura. Para que ocorra a supercondutividade, por exemplo, os materiais precisam ser resfriados ao extremo. Isso demonstra que, ao aquecer, a condução elétrica piora.
Portanto, é fundamental tomar cuidado ao expor eletrônicos ao calor excessivo, seja no sol, dentro de carros quentes ou mantendo-os em capas que restringem a troca térmica.
Perguntas Frequentes
- O que acontece com a cola interna de um celular quando ele esquenta?
O calor extremo faz com que a cola utilizada na montagem dos componentes e na vedação do aparelho se degrade e amoleça, o que pode levar à separação da tela e a outros problemas estruturais. - Por que o calor estraga os aparelhos eletrônicos?
O calor estraga os eletrônicos porque eles já geram calor internamente durante a operação, e a falta de espaço para dissipação, combinada com a exposição a fontes externas de calor, força os componentes a trabalharem acima de seus limites térmicos seguros, danificando soldas e materiais internos. - Qual a relação entre o calor e o desempenho do processador?
Componentes como o processador geram muito calor em uma área muito pequena. Quando não conseguem dissipá-lo eficientemente, o sistema reduz o desempenho (thermal throttling) para evitar danos permanentes. - É possível reparar um aparelho que foi danificado pelo superaquecimento?
Danos causados pelo calor podem ser graves. Em casos extremos, como falha nas soldas do processador, pode ser necessário realizar um reballing, um serviço técnico altamente especializado. - Qual a melhor forma de ajudar um celular a se manter refrigerado?
Evitar a exposição direta ao sol, não carregar o aparelho em locais quentes, e optar por capas que permitam alguma ventilação são medidas essenciais para auxiliar na dissipação do calor natural gerado pelo dispositivo.






