Todos os Testes de Voo da Starship da SpaceX em Ordem

Progresso em Testes de Voo: Acompanhando os Marcos da Starship

A jornada de testes de veículos espaciais é marcada por momentos de grande expectativa e, claro, por aprendizados contínuos. A cada voo, objetivos ambiciosos são estabelecidos para demonstrar novas capacidades e coletar dados cruciais. Este artigo detalha os eventos de voos de teste que alcançaram marcos significativos, incluindo ignições de múltiplos motores, separações de estágio e até mesmo pousos de teste bem-sucedidos.

Marcos do Voo Inicial (Primeiro Teste)

O primeiro voo testado apresentou um desempenho inicial notável. Aos 33 segundos do voo inaugural, a pressão da câmara foi monitorada. A torre de lançamento foi liberada, e os motores do primeiro estágio foram reportados como nominais.

O veículo estava voando com o dobro do empuxo do Saturn V, rumo ao espaço. Embora a fase inicial de rotação (o “flip”) parecesse ter começado, o conjunto completo da Starship continuou sua rotação, conforme visto pelas câmeras terrestres.

A separação de estágio deveria ter ocorrido em um determinado momento, mas a situação não pareceu nominal, com o veículo apresentando rotação. Contudo, é importante notar que tudo o que ocorreu após a liberação da torre era considerado um “bônus” (icing on the cake) para o sucesso da missão.

Um Segundo Voo de Sucesso Notável

Em um voo subsequente, com a contagem regressiva chegando a 3, 2, 1, o voo avançou. Aos T+40 segundos, com 33 motores Raptor alimentando o primeiro estágio, a telemetria e a potência foram confirmadas como nominais, enquanto a Starship seguia sobre o Golfo do México.

Um marco crucial foi atingido:

* Desligamento dos motores do booster (Booster Engine Cut Off – BECO).
* Separação de estágio.

Este evento foi a primeira separação de estágio bem-sucedida para a SpaceX e Starship, celebrada como um grande avanço.

Apesar da separação bem-sucedida, o propulsor Super Heavy experimentou o que foi descrito como uma “rápida desmontagem não programada”. Felizmente, a nave superior (Ship) continuou em sua trajetória com potência e telemetria nominais, com seus seis motores acesos, conforme visível na imagem inferior direita da tela.

Este voo foi considerado incrivelmente bem-sucedido até o ponto da separação, mesmo com a perda do Super Heavy. O objetivo primário do booster – alcançar a separação quente (hot staging) e colocar a nave em rota para a órbita – foi alcançado de forma admirável.

Um segundo teste, com a contagem 5, 4, 3, 2, 3, 1, também mostrou progresso, atingindo 30 segundos de voo com o tremor característico e com todos os 33 motores Raptor acionados no Super Heavy. A separação de estágio foi confirmada.

Hot Staging e Reentrada Controlada (Segundo Teste)

A confirmação do “hot staging” ocorreu. O booster iniciou sua manobra de retorno (“boost back”), enquanto a nave acendeu seus seis motores e seguiu para o espaço. O objetivo principal da missão era testar a reentrada controlada em alta velocidade e calor.

Observando as câmeras, era possível notar o aquecimento intenso nos *flaps* à medida que a nave começava a reentrar na atmosfera terrestre, onde a resistência do ar realiza o trabalho de desaceleração. As câmeras, transmitindo via Starlink, capturavam imagens impressionantes do plasma ao redor do veículo, que, devido ao seu tamanho, não cobria completamente a Starship.

O fato de a nave ter alcançado a reentrada, demonstrando um controle até aquele ponto, foi considerado um grande sucesso. Este foi o voo mais distante e rápido que a Starship já havia alcançado.

O objetivo principal do booster era chegar à separação quente, e ele cumpriu isso. Para o pouso do booster, a expectativa era que os 13 motores centrais acendessem rapidamente para reduzir a velocidade, seguidos pelos três motores centrais para o toque final no solo.

Apesar de o objetivo do teste ser intencional (sem plano de recuperação) para testar a reentrada em alta temperatura, os dados coletados foram o foco principal. O booster foi direcionado intencionalmente para o Golfo do México.

Um marco adicional foi alcançado mais tarde: a Starship completou sua reentrada e realizou sua primeira manobra de ignição para pouso (landing burn). A nave atingiu o objetivo de uma aterrissagem controlada, tocando a superfície do oceano, o que foi um final incrível para a jornada da Starship naquele voo.

Terceiro Teste: Sucesso em Pouso e Retorno do Booster

Em um terceiro teste de voo, a contagem regressiva 3, 2, 1 resultou em ignição. Aos 30 segundos de voo, a telemetria confirmava 33 de 33 motores Raptor acionados no Super Heavy. Seguiram-se o acionamento dos motores da nave (Ship engine start) e a separação de estágio.

A confirmação do hot staging aconteceu, com a nave sob propulsão própria e o booster iniciando o retorno. Todos os 13 motores acenderam para o retorno ao Golfo. Observando-se as imagens, as aletas de grade (*grid fins*) no lado esquerdo giravam para guiar o propulsor. A nave seguia para o espaço, e o booster para o retorno.

O processo de pouso do booster seguiu o padrão:

1. Ignição dos 13 motores centrais.
2. Desaceleração para três motores para o toque final.

O pouso no Golfo foi confirmado, marcando um pouso bem-sucedido para o Super Heavy.

Na sequência, a Starship realizou sua própria sequência de pouso, com acendimento dos motores, seguida pela queima de pouso (*landing burn*). O pouso na água foi confirmado.

Quarto Teste: Pouso do Booster na Torre e Perda da Nave

Um voo posterior focou em uma meta ainda mais audaciosa: a captura do booster pela torre de lançamento, conhecida como “Mezzilla”.

A sequência de voo incluiu:

* Acionamento dos motores do booster.
* Acionamento dos motores da nave.
* Separação de estágio.
* Hot staging confirmado, com seis motores acesos na nave e o booster iniciando o retorno para o local de lançamento.

As quatro aletas hipersônicas (*hypersonic grid fins*) auxiliaram na orientação do propulsor durante a reentrada atmosférica. A queima de pouso começou, seguindo o padrão de 13 motores, depois três.

Um ponto alto foi a confirmação da captura do booster pela torre. No entanto, nesse momento, houve a perda do estágio superior (Ship). Aparentemente, a nave sofreu uma desintegração após a captura do booster, um evento que seria investigado nas horas e dias seguintes.

Quinto Teste: Sucesso Orbital e Deploy de Carga

Em um novo teste, aos T+11 minutos de missão, a nave Starship alcançou sua trajetória orbital nominal, um marco inédito em nove voos de teste. A euforia tomou conta da equipe ao ver a nave orbitando a Terra.

Neste ponto, no entanto, houve a perda do controle de atitude da nave e início de um giro. A equipe optou por uma contingência planejada: “passivar” o veículo, liberando todo o propelente restante. Isso levaria a uma reentrada não controlada sobre o Oceano Índico, uma área designada para tais eventos.

Antes da perda de controle, a missão alcançou o primeiro *deploy* de carga da história. Oito satélites simulados, do tamanho dos Starlinks V3, foram ejetados de um dispensador (*PEZ dispenser*) na nave. Os satélites seguiram a mesma trajetória suborbital e queimariam completamente na atmosfera sobre o Oceano Índico.

A Starship continuou sua reentrada com o movimento de “belly flop” (barriga para baixo), seguido pela manobra de “flip swing out” (giro para a vertical). A queima de pouso (*landing burn*) foi iniciada com três motores, seguida pela ignição de pouso com três motores, e finalmente a nave tocou a água (splashdown).

Sexto Teste: Outro Sucesso de Retorno do Booster

Em uma tentativa subsequente, o booster iniciou sua sequência com sucesso: ignição, separação, hot staging com seis motores na nave e o booster iniciando o retorno.

A estratégia de pouso do Super Heavy foi novamente aplicada, com 13 motores acendendo e, em seguida, reduzindo para três. O booster realizou um “pequeno hover” antes do encerramento da queima de pouso e um splashdown no Golfo.

Enquanto isso, a nave continuava sua missão, e os simuladores de satélites, localizados no dispensador, foram ejetados. Um a um, sete dos oito satélites foram liberados em sua trajetória suborbital rumo ao Oceano Índico.

Perguntas Frequentes

  • O que significa “hot staging” (separação quente)?
    É o processo onde a nave superior (Ship) acende seus motores antes da separação completa do propulsor principal (Booster), permitindo uma transição mais suave e eficiente da propulsão.
  • Como funciona o pouso do Super Heavy Booster?
    O booster usa a maioria de seus 33 motores (tipicamente 13) para desacelerar rapidamente durante a reentrada e, em seguida, reduz para três motores para um toque controlado, seja em terra ou na água.
  • Por que a nave perdeu o controle de atitude em alguns voos?
    A perda de controle de atitude ou a desintegração são riscos inerentes aos testes. Em casos de falha em manter o controle após atingir certos marcos, é acionada uma manobra de “passivação” para garantir que o veículo não represente risco.
  • Qual o objetivo principal de ejetar satélites simulados?
    O objetivo é testar a capacidade da Starship de funcionar como um lançador de múltiplos satélites, demonstrando a funcionalidade do seu sistema de dispensa de carga (payload deploy operation).
  • É possível que a nave Starship realize uma reentrada controlada após um voo suborbital?
    Sim. A capacidade de sobreviver à reentrada atmosférica em alta velocidade e realizar a manobra de pouso (landing burn) é um objetivo crucial, alcançado com sucesso em alguns dos testes iniciais.