Detalhes do Lançamento e Subida Inicial
A sequência de eventos capturou um momento notável: o lançamento com todos os 33 motores Raptor do Super Heavy acesos, elevando o veículo ao céu. A ignição foi um espetáculo, com todos os motores visíveis brilhando intensamente.
O veículo progrediu em direção ao ponto de máxima pressão aerodinâmica (Max Q). Aproximadamente um minuto e meio após o lançamento, a atenção se voltou para a próxima fase crítica: o hot staging.
Foi possível sentir a vibração intensa durante a fase de aceleração. Com cerca de um minuto restante antes do hot staging, os motores do propulsor principal começaram a ser desligados sequencialmente. É importante notar que este propulsor estava realizando seu segundo voo.
O Processo de Hot Staging
O hot staging ocorreu com menos de um minuto de tempo decorrido desde o ponto de referência inicial. Neste procedimento, todos os motores do Booster (Super Heavy) exceto os três centrais foram desligados, naquilo que é conhecido como MECO (Main Engine Cut-Off) para a versão anterior, embora aqui se refira ao desligamento da maioria dos motores do propulsor).
Poucos segundos depois, seis motores da nave superior (Ship) foram acionados para afastá-la do propulsor. Foi observado o primeiro giro direcional do propulsor, que deveria virar verticalmente para cima.
A sequência correta foi executada: os motores do propulsor foram desligados, seguida imediatamente pela ignição dos motores da nave e separação dos estágios.
Após a separação, seis motores na nave estavam funcionando, e três motores adicionais no propulsor também foram vistos acendendo para o boost back burn (queima de retorno).
Dados do Voo Após a Separação
As câmeras de Hawthorne relataram que a pressão da câmara de combustão estava nominal, indicando que os seis motores da nave estavam operando de forma saudável em sua trajetória suborbital planejada.
No propulsor, dos 13 motores que ainda estavam operando após o boost back burn inicial, restavam apenas os três centrais, conforme esperado para a fase final desta queima.
Neste voo, não houve tentativa de recuperação do Super Heavy Booster. O plano era realizar um desligamento controlado, o que ocorreu com sucesso. Seguiu-se o descarte do hot stage, com todos os sistemas de aviônicos e telemetria reportando-se como nominais.
O propulsor, retornando à Terra, realizaria experimentos, incluindo uma reentrada em um ângulo de ataque mais elevado e testes de motor enquanto se aproximava do Golfo. Por conta desses testes, o pouso não estava previsto.
Quatro minutos e quinze segundos após o lançamento, foram fornecidas excelentes vistas da área do motor da nave, mostrando os três motores de nível do mar e três motores a vácuo ainda ativos.
O propulsor iniciou o descarte de propelente (liquid oxygen dump) para reduzir sua massa antes da reentrada. O objetivo era reduzir a massa do propulsor à medida que ele se aproximava do pouso (apesar de ser um pouso não controlado neste teste).
Fases da Reentrada e Objetivos Experimentais
Aproximadamente aos 5 minutos de voo, o Super Heavy estava descendo rapidamente. A expectativa era que a descida não fosse suave devido ao teste de ângulo de ataque mais alto, visando coletar dados de controle em condições de maior arrasto, simulando cenários modelados em túneis de vento e computacionalmente.
Cerca de 40 segundos antes do previsto, o propulsor acenderia seus motores para a queima de pouso (landing burn). A sequência esperada envolvia acender 13 motores, reduzir para três, e depois desligar intencionalmente um dos três motores centrais para testar os limites do veículo.
A queima de pouso do propulsor foi iniciada, e os 13 motores ligaram, estabilizando a descida. Os pressões dos motores Raptor permaneceram nominais. A nave continuava sua subida com seis motores ativos (três de nível do mar e três a vácuo).
O grid fins do propulsor estavam trabalhando intensamente. No entanto, a telemetria do propulsor foi perdida assim que a queima de pouso começou, indicando que ele não completou essa fase, resultando em um fim de voo antes do previsto, com um impacto esperado no Golfo.
Situação da Nave (Ship)
Restavam cerca de 2 minutos para a nave atingir o SECO (Second Engine Cut-Off), onde todos os seis motores seriam desligados. A inserção orbital foi reportada como nominal.
A nave permaneceu em sua trajetória suborbital planejada, tendo acendido todos os seis motores e completado a fase SECO.
Os próximos marcos planejados para a missão suborbital eram:
- T + 18 minutos e 26 segundos: Primeira implantação de simuladores de satélites Starlink.
- T + 37 minutos e 49 segundos: Reacendimento de um único motor Raptor de nível do mar no espaço para testes de queima de desórbita.
- T + 45 minutos (aproximadamente): Reentrada na atmosfera terrestre, testando modificações no escudo térmico, incluindo 100 telhas de proteção removidas intencionalmente em áreas críticas para avaliar a robustez do sistema.
Falhas na Sequência Orbital
Na sequência de eventos, a equipe relatou problemas inesperados no ambiente orbital:
- A porta da baía de carga (payload door) não conseguiu abrir totalmente e foi fechada novamente. Isso impediu a implantação dos simuladores Starlink, que estavam empilhados no centro da baía.
- A nave começou a entrar em um spin devido a vazamentos em alguns sistemas de tanques de combustível, usados para controle de atitude.
- A perda do controle de atitude levou à decisão de passivar o veículo, que envolve ventilar todo o propelente restante para fora.
Com a perda de controle de atitude, a reentrada se tornou descontrolada. Esperava-se que a nave atingisse a atmosfera, pois estava em trajetória suborbital, mas o resultado não seria uma reentrada controlada, como a testada no voo anterior que perdeu o controle de atitude devido a um sintoma semelhante.
Mesmo em rotação, os sistemas de comunicação conseguiram manter o contato por algum tempo, mostrando o acúmulo de plasma de cerca de 1.400° C durante a reentrada. Infelizmente, o contato oficial com a nave foi perdido alguns minutos antes do esperado para o final do voo.
Perguntas Frequentes
- O que é “hot staging”?
É um procedimento onde os motores do estágio superior (nave) são acesos enquanto o propulsor principal (booster) ainda está engajado, permitindo uma transição de potência mais eficiente entre os estágios. - O que significa SECO?
SECO significa “Second Engine Cut-Off” ou desligamento do motor do segundo estágio (a nave), indicando o fim da propulsão principal na trajetória suborbital. - Por que o propulsor não foi recuperado neste voo?
O voo estava focado em realizar testes aerodinâmicos e de reentrada com o Super Heavy, especificamente um pouso não recuperável no Golfo. - Qual o objetivo de remover telhas do escudo térmico antes da reentrada?
Remover intencionalmente um número limitado de telhas em áreas críticas permite testar a robustez do sistema de proteção térmica sob condições extremas, avaliando o que ocorreria se essas telhas fossem perdidas em um voo operacional.






