Detalhes da Missão: Ascensão e Recuperação do Booster
Este artigo descreve os momentos cruciais de um voo, detalhando a ascensão do veículo, a separação de estágios e o retorno e pouso bem-sucedido do propulsor.
Início do Voo e Passagem pelo Max Q
A missão começou com a decolagem. Pouco mais de 30 segundos após o evento, a telemetria indicava 33 de 33 motores ativos, enquanto o veículo realizava um movimento de arfagem para baixo. Aproximadamente aos 53 segundos, foram confirmados sistemas nominais de aviônicos do *booster* e da nave.
Foi relatado que a vibração (o “estrondo sônico”) foi sentida cerca de 6 milhas de distância, indicando que a Starship estava subindo em direção ao azul do céu.
Um minuto após o início, o veículo já atingia velocidades supersônicas. Momentos depois, a missão passou pelo Max Q, o ponto de maior estresse aerodinâmico que o veículo experimenta durante a subida. Nessa fase, todas as equipes em terra começaram a analisar os sistemas na torre, realizando verificações manuais que informariam as decisões subsequentes do diretor de voo.
Hot Staging e Separação dos Estágios
O próximo evento crítico a ser observado era o Hot Staging, a separação quente dos estágios. As câmeras mostravam uma ascensão espetacular. Enquanto a nave se preparava para acender seus motores, o processo ocorreria com o propulsor ainda acoplado.
Cerca de 30 segundos antes do evento, as equipes em terra confirmavam a prontidão da torre através de verificações manuais, embora os *checkouts* automatizados do *booster* e da nave também estivessem em andamento. Os comandos manuais estavam prontos para prosseguir.
O momento da separação foi marcado pelo corte dos motores do *booster* (Booster Engine Cutoff).
Logo em seguida, foi confirmado o **Hot Staging**, um evento crucial que prepara o caminho para o retorno do *booster* e a continuidade da ascensão da nave.
Ascensão da Nave e Retorno do Booster
Com a confirmação do *Hot Staging*, o *booster* iniciou seu retorno à Terra, enquanto a nave executava sua ignição de ascensão em direção ao espaço.
Na localização de Hawthorne, observava-se que 12 dos 13 motores do *booster* haviam sido acionados para o retorno. Foram utilizados os motores capazes de realizar o *gimbal* (ajuste de vetor de empuxo). A equipe deu o sinal verde para o Booster Return (Retorno do Propulsor).
Todos os critérios necessários para garantir um Booster Catch (captura segura do propulsor) seguro foram alinhados.
O evento de separação quente (*hot stage*) foi confirmado, com a nave se afastando do Super Heavy *booster*. Os motores do *booster* foram desligados após a conclusão do primeiro de dois impulsos necessários para trazê-lo de volta à Terra: o Boost Back Burn (Impulso de Retorno).
Preparação para o Pouso do Booster
O próximo passo era o Landing Burn (Impulso de Aterrissagem), onde 13 motores centrais acenderiam novamente, diminuindo gradualmente para apenas três motores logo antes do toque final para a captura do *booster* pela torre.
Os objetivos primários do estágio um eram: ascensão controlada, separação de estágios e um *boost back burn* controlado com *hot staging*. Esses marcos foram alcançados com sucesso, com excelentes visuais da Terra a partir da nave.
O *booster* estava em curso de retorno para a torre de lançamento, indicando uma preparação para a captura usando os braços mecânicos (“Chopsticks”). As aletas de grade (*grid fins*) estavam ativas, ajudando a controlar e guiar o veículo para seu local de pouso designado. O sistema FTS (*Flight Termination System*) do *booster* foi colocado em estado seguro.
Captura Bem-Sucedida do Booster
O momento da captura do *booster* pela torre aconteceu com o acionamento dos três motores centrais. Foi confirmado que a torre de lançamento havia capturado o *booster* com sucesso pela segunda vez. Este evento ocorreu cerca de sete minutos e meio após a decolagem da mesma plataforma.
As aletas hipersônicas de grade que guiaram o *booster* para o pouso de precisão foram destacadas, mostrando o quão pequena a peça de encaixe da captura parecia em comparação com o tamanho maciço do propulsor.
Situação da Nave (Upper Stage)
Enquanto o pouso do *booster* era comemorado, a atenção se voltou para o status da nave. Foi notado que a telemetria dos motores da nave havia desaparecido. A equipe aguardava uma atualização sobre o estado da nave, pois os motores estavam se aproximando do tempo de corte previsto.
Com o *booster* seguro na torre de lançamento, a equipe esperava por uma atualização sobre a nave, pois toda a comunicação com ela foi perdida. Isso indicava uma anomalia no estágio superior.
A perda de comunicação ocorreu quando a nave estava prestes a completar seu impulso de ascensão. Os dados mostraram a queda de alguns motores antes que a telemetria fosse totalmente perdida. Portanto, naquele momento, assumia-se que a nave havia sido perdida.
Este foi um veículo novo, uma versão aprimorada, e como em qualquer sistema novo interagindo pela primeira vez, há muito a ser aprendido com essas novas interações de sistemas.
Perguntas Frequentes
- O que é Max Q durante o lançamento?
Max Q é o ponto de maior estresse aerodinâmico que o veículo encontra durante a fase de subida, devido à combinação de velocidade e densidade atmosférica. - O que significa “Hot Staging”?
Hot Staging é o procedimento onde os motores do estágio superior são acionados enquanto o propulsor principal ainda está acoplado, permitindo uma separação mais eficiente. - Como o Booster Return Burn é realizado?
O retorno do *booster* é feito através de impulsos de motor, como o *Boost Back Burn* e o *Landing Burn*, para direcioná-lo de volta ao local de pouso. - Qual é a função das aletas de grade (*grid fins*)?
As aletas de grade são usadas para controlar e guiar o *booster* durante sua reentrada e aproximação para o pouso de precisão na torre. - É possível prever a perda de comunicação da nave?
Embora os sistemas automatizados trabalhem para evitar falhas, a perda de telemetria da nave indica uma anomalia que impede o contato e a confirmação de sua situação.






