SP80: Dentro do Cockpit do Barco a Vela Mais Rápido Projetado
Estamos mergulhando no cockpit de um veleiro impulsionado por pipa, projetado para ser o mais rápido já construído. Embora ainda não tenha atingido sua velocidade máxima, a equipe de co-pilotos está se preparando para as tentativas de recorde mundial em 2026. Esta análise detalhada oferece um olhar prático sobre esta embarcação única, construída para o que pode ser comparado à “corrida de arrancada” da vela. Assim como no drag racing, velocidades extremas vêm com riscos significativos.
Este artigo explora por que duas pessoas são, às vezes, melhores que uma, como trabalham em conjunto para controlar este veleiro de alta velocidade e como se preparam para todos os cenários de emergência. Esta é a história do SP80.
Testes e Ajustes na Costa Francesa
A equipe do SP80 tem realizado testes com seu barco em velocidades crescentes na costa de Lucat, no sul da França. O plano inicial era realizar a tentativa de recorde mundial lá em 2025, mas as condições de vento e clima desfavoráveis os fizeram mudar de rota.
Antes de seguir para seu próximo destino, a equipe alcançou uma velocidade máxima de 58 nós (aproximadamente 67 mph). Isso os posiciona como o segundo veleiro mais rápido já construído.
O recorde atual de velocidade em vela é de pouco mais de 65 nós (ou 75 mph), estabelecido por Paul Larson na Namíbia. Este local é famoso por oferecer algumas das melhores condições de navegação de alta velocidade do mundo, e é para lá que a equipe do SP80 se dirige agora.
O objetivo é ter o barco pronto na Namíbia em agosto e iniciar as tentativas oficiais de recorde a partir de setembro, com a intenção de quebrar o recorde e ir ainda mais longe.
A Dinâmica de Dois Pilotos
Enquanto Larson estabeleceu seu recorde anterior como um único piloto, o barco SP80 é concebido para dois. Benoit opera na parte traseira, focado no controle da pipa, enquanto Mayule está na frente, responsável pela direção.
A experiência de controle é distinta para cada um. Um dos pilotos relata que, como marinheiro, sentiu uma ausência total de *feedback* no volante da direção. Isso significa que a navegação depende muito da observação dos instrumentos frontais.
O foco é manter uma trajetória extremamente reta e o mais próximo possível da praia para garantir águas planas. Com a água calma, pequenos ajustes no leme são suficientes para controlar o ângulo da direção. Quando o barco está rápido e na posição correta, ele apresenta pouca deriva lateral, o que é perceptível durante a navegação.
Em termos de conforto, o assento na parte traseira é considerado mais protegido dos impactos e solavancos sentidos pelo piloto na frente.
A diferença de altura também afeta a configuração dos assentos. Um dos pilotos é muito alto para se acomodar confortavelmente dentro do cockpit sem remover o volante. Por isso, existe um sistema de liberação rápida para o volante.
O piloto da frente possui uma antepara que obstrui parcialmente a visão frontal do barco, tornando a experiência um pouco incomum no início. No entanto, há um dossel acima que proporciona uma excelente visão da pipa. A rotação de um controle ajusta a elevação da pipa, mantendo-a o mais baixa possível, pois é ali que se encontra sua maior eficiência.
Adicionalmente, na mão direita, há uma alavanca que modifica o ângulo de ataque da pipa, aumentando assim a potência. Há também um punho giratório, semelhante ao de uma motocicleta, que é usado para liberar a tensão, controlando a força de tração da pipa e, consequentemente, a aceleração do barco.
Segurança em Alta Velocidade
O capacete usado pelos pilotos é crucial para a segurança. Além disso, ele integra um sistema de som com microfone e um suprimento de ar de emergência. Este ar de reserva é vital caso a água invada a cabine e procedimentos de emergência precisem ser realizados.
Devido ao espaço confinado e ao cockpit fechado, escapar desta embarcação assemelha-se mais a um pouso forçado de aeronave do que a abandonar um veleiro tradicional.
Por essa razão, a equipe tem treinado extensivamente em uma instalação normalmente utilizada por pilotos de helicóptero. O treinamento foca em como escapar do cockpit, incluindo simulações onde os pilotos ficam submersos e de cabeça para baixo na piscina, praticando todos os procedimentos de segurança na sequência correta.
Embora não seja confortável ser preso em um barco afundando, esses exercícios são realizados mensalmente. Com a prática, os pilotos ganham confiança de que o capacete e a máscara estão funcionando, permitindo que operem com segurança dentro do barco.
Sistemas de Liberação de Emergência
Tão importante quanto saber o que fazer em caso de capotamento é evitar que isso aconteça. Por isso, cada assento no cockpit possui dois grandes botões vermelhos que liberam a pipa de maneiras diferentes.
Um dos botões aciona uma liberação mecânica. Ao ser pressionado, ele solta a pipa e pode ser rearmado, permitindo que a navegação recomece com relativa facilidade.
O segundo botão executa uma ação mais drástica: cortar as linhas da pipa.
A preparação para a tentativa de recorde nos próximos nove meses envolve finalizar a manutenção do barco e garantir que ele esteja pronto para ser transportado para a Namíbia em julho. O período de agosto a dezembro será dedicado a atingir a meta de quebrar o recorde mundial.
Perguntas Frequentes
- Como a equipe se prepara para o ambiente de alta velocidade do SP80?
A equipe realiza treinamentos de emergência em instalações usadas por pilotos de helicóptero, praticando a fuga do cockpit submerso e de cabeça para baixo para garantir a correta execução dos procedimentos de segurança. - O que o piloto da frente controla?
O piloto da frente, que tem uma visão limitada do caminho à frente, foca no controle da pipa através de um painel. Ele ajusta a elevação da pipa e, usando uma alavanca, modifica o ângulo de ataque para aumentar a potência ou liberar a tensão. - Qual a diferença entre os dois botões de emergência no cockpit?
Um botão aciona uma liberação mecânica da pipa que pode ser rearmada para continuar navegando. O outro botão corta as linhas da pipa completamente. - Por que o SP80 utiliza dois pilotos em vez de um?
O design da embarcação é otimizado para dois tripulantes: um focado no controle da pipa (traseira) e outro focado na direção do barco (dianteira), permitindo uma distribuição de tarefas para lidar com as exigências de velocidade. - Qual é o recorde de velocidade que a equipe pretende quebrar?
A equipe mira quebrar o recorde atual de velocidade em vela, que é de pouco mais de 65 nós (75 mph).






