A Verdade Obscura Sobre o Armazenamento UFS 2.2

UFS 3.1 vs. UFS 2.2: O Mito da Velocidade Superior no Armazenamento de Smartphones

Sempre que um novo smartphone é lançado na Índia, uma pergunta recorrente surge: qual é o tipo de armazenamento utilizado? É UFS 2.2 ou UFS 3.1? A situação é, no mínimo, curiosa. Vemos aparelhos abaixo de 15.000 rúpias vindo com UFS 3.1, enquanto modelos custando mais de 25.000 rúpias utilizam UFS 2.2.

Exemplos recentes incluem o Nothing Phone (3A), alguns novos modelos da Motorola e até o iQOO Z10, que vem com UFS 2.2, enquanto sua variante mais barata, o iQOO Z10X, possui armazenamento UFS 3.1. Isso gera muita confusão. Se o UFS 3.1 é superior ao UFS 2.2, por que as marcas insistem em implementá-lo em segmentos de preço mais baixos? Isso seria por ser mais barato? Se for esse o caso, por que ele não aparece nos modelos de 25.000 rúpias? A lógica parece falhar.

A verdade é que a explicação é mais complexa do que se imagina. Neste artigo, vamos desvendar as diferenças técnicas e os resultados práticos desses dois padrões de armazenamento.

Entendendo as Diferenças Técnicas

Para começar, é fundamental compreender as especificações técnicas que separam o UFS 3.1 do UFS 2.2.

Analisando as especificações, o UFS 3.1 geralmente apresenta velocidades superiores em:

  • Leitura sequencial (Sequential read speeds)
  • Escrita sequencial (Sequential write speeds)
  • Leitura aleatória (Random read speeds)

Além disso, o UFS 3.1 tende a ser mais eficiente em termos de consumo de energia (power efficient).

Para ilustrar a diferença de forma simples, imagine o armazenamento como uma rodovia:

  • UFS 2.2: Uma estrada de duas pistas.
  • UFS 3.1: Uma estrada de seis pistas.

Em momentos de tráfego intenso (muitos dados sendo processados), a estrada de duas pistas pode congestionar e ficar lenta, enquanto a de seis pistas mantém um desempenho mais rápido. Dessa forma, carregar arquivos grandes, iniciar jogos ou copiar dados deveria ser significativamente mais rápido em um dispositivo com UFS 3.1 em comparação com um com UFS 2.2.

Teoricamente, o UFS 3.1 seria um “leito de rosas”, e o UFS 2.2, um “leito de espinhos”. No entanto, quando colocamos ambos à prova, os resultados práticos podem ser chocantes.

Preparação dos Testes

Para garantir uma comparação justa, foram selecionados cuidadosamente quatro smartphones. Dois deles utilizavam o mesmo processador Snapdragon, e os outros dois, o mesmo chipset MediaTek. Em cada conjunto de processadores, um telefone vinha equipado com UFS 3.1 e o outro com UFS 2.2. Isso proporcionou um campo de testes equilibrado.

Antes de iniciar, todos os dispositivos foram preparados rigorosamente:

  • Atualizados para as versões de software mais recentes.
  • Carregados até 100%.
  • Conectados à mesma rede de internet.

Resultados dos Testes Práticos

Os testes focaram em cenários do mundo real, que refletem o uso diário do usuário.

Benchmarks

Inicialmente, os benchmarks foram executados. Nesta fase, os telefones com armazenamento UFS 3.1 se saíram melhor e concluíram os testes primeiro. Este resultado era o esperado.

Instalação de Aplicativos

O próximo passo foi testar a instalação de apps, algo que se faz imediatamente ao adquirir um novo aparelho. Testamos tanto com um aplicativo pequeno quanto com um aplicativo grande. Surpreendentemente, em ambos os casos, os telefones com UFS 2.2 tiveram um desempenho surpreendentemente melhor. No caso dos aplicativos maiores, a diferença de desempenho foi notavelmente grande.

Download e Instalação de Jogos

Em seguida, testamos o download e a instalação de jogos pesados.

  • Ao instalar o BGMI, o modelo com UFS 3.1 levou o maior tempo.
  • Ao instalar o Call of Duty Mobile, o aparelho com UFS 3.1 demorou o dobro do tempo em comparação com o CMF11 (que utilizava UFS 2.2), o que foi totalmente inesperado.

Também foi realizado o teste de *sideloading* (instalação manual via arquivo), utilizando o jogo *Arena Breakout*. O resultado seguiu o mesmo padrão: o UFS 2.2 se saiu melhor.

Apesar da suspeita inicial de que problemas na conexão de internet poderiam ter distorcido os resultados, testes adicionais foram realizados para confirmar as descobertas.

Inicialização e Reinicialização (Boot/Restart)

Analisamos o tempo de inicialização e reinicialização dos aparelhos. Pela primeira vez, o dispositivo com UFS 3.1 (Vivo) venceu, mas o outro modelo com UFS 3.1 (Realme) teve um desempenho muito fraco.

Tempo de Carregamento de Aplicativos (App Loading)

O tempo de carregamento de aplicativos é uma área onde o tipo de armazenamento deveria fazer grande diferença. No entanto, em nossos testes, o UFS 2.2 foi mais rápido na maioria das vezes. Testamos aplicativos comuns como Instagram, Netflix, Snapchat, BGMI e COD Mobile, e na maioria dos casos, os telefones UFS 2.2 demonstraram ser mais ágeis. Para os aparelhos com Snapdragon, foi um empate, mas para os equipados com MediaTek, foi uma derrota constrangedora para o UFS 3.1.

Transferência de Arquivos (Cópia Interna)

Transferimos um material de estudo de 10 GB de uma pasta para outra no mesmo telefone. Aqui, o dispositivo com UFS 2.2 (Nothing) obteve o melhor resultado. O aparelho com UFS 3.1 (Vivo) levou mais de 3 minutos, um tempo extremamente lento.

Transferência de Arquivos (Para PC e de Volta)

No teste de transferência do arquivo de 10 GB do telefone para o PC e depois de volta para o telefone, o Vivo (UFS 3.1) teve o pior desempenho. Novamente, o UFS 2.2 venceu em ambos os cenários de cópia de arquivos.

Descompactação (Unzipping)

Testamos a velocidade de descompactação de um arquivo de 2.5 GB. Neste caso, o Realme com UFS 3.1 venceu, mas o Vivo (também UFS 3.1) ficou por último na fila.

Teste com Armazenamento Quase Cheio

Muitos apontam que o desempenho do UFS 2.2 cai drasticamente quando o armazenamento está preenchido acima de 50% a 60%. Para verificar isso, enchemos todos os telefones até 90% da capacidade e repetimos os testes de inicialização, reinicialização e carregamento de fotos. Os resultados não mudaram significativamente; não houve grandes diferenças que justificassem o descarte do UFS 2.2.

Três Aprendizados Chave

Após conduzir todos esses testes, três pontos importantes foram observados:

1. Consistência: Em todos os testes, o UFS 2.2 se mostrou muito mais consistente que o UFS 3.1. Isso é preocupante, pois não deveria ser assim. Pequenas variações são normais, mas a grande inconsistência observada no UFS 3.1 sugere que algo pode estar sendo feito de forma inadequada.
2. Impacto da VRAM: Ao desabilitar a VRAM (que vem ativada por padrão), as pontuações de benchmark do Realme (UFS 3.1) caíram pela metade, ficando até abaixo das pontuações dos telefones com UFS 2.2. Isso também não era o esperado.
3. Desempenho no Mundo Real: No uso prático, o UFS 2.2 venceu em muitas situações. E, mais importante, quando o UFS 3.1 perdia, a diferença de desempenho era alarmante. Por exemplo, ao descompactar e copiar arquivos, o Vivo (UFS 3.1) levou uma eternidade em certas tarefas.

Por Que o UFS 3.1 Pode Não Ser Superior na Prática?

É inegável que o UFS 3.1 não é invariavelmente melhor que o UFS 2.2. A grande questão é: por quê?

A resposta reside em dois fatores principais:

1. Otimização da Marca: Oferecer o padrão de armazenamento mais rápido é apenas metade do trabalho. As marcas precisam otimizar o software para que esse hardware se destaque. Claramente, isso não ocorreu com os modelos da Realme e Vivo testados. Eles não são consistentes e acabam performando mal em muitas situações. É comparável a ter o mesmo sensor de câmera em dois telefones: se a otimização de software for diferente, a qualidade final da foto será distinta.
2. Uso de UMCP: Existe outro fator que pode levar a um desempenho melhor em telefones com UFS 2.2: o uso de UMCP (Unified Multi-Chip Package). Embora seja difícil para o consumidor verificar se a marca está usando UMCP, essa tecnologia unifica RAM e armazenamento em um único módulo, o que geralmente resulta em melhor eficiência geral.

Conclusão: Não Confie Apenas na Etiqueta

Assim como uma câmera de 50 MP não é necessariamente melhor que uma de 12 MP, e nem todos os SSDs oferecem as mesmas velocidades de transferência, o mesmo se aplica ao armazenamento UFS.

O UFS 3.1 não garante automaticamente um desempenho superior ao UFS 2.2. O desempenho final depende crucialmente das otimizações implementadas pelo fabricante – e é frequentemente nesse ponto que os fabricantes cortam custos.

Dito isso, usar a falta de otimização como desculpa para equipar telefones acima de 25.000 rúpias com UFS 2.2 é inaceitável. Independentemente das otimizações, colocar um padrão de armazenamento mais antigo em aparelhos mais caros é, na essência, uma redução de custos desnecessária para o consumidor.

Perguntas Frequentes

  • O que é UFS e por que ele é importante em smartphones?
    UFS (Universal Flash Storage) é o padrão de memória flash usado para armazenamento interno em smartphones, afetando a velocidade de leitura/escrita de dados, o que impacta o tempo de inicialização, carregamento de apps e transferência de arquivos.
  • Qual é a principal diferença entre UFS 3.1 e UFS 2.2?
    O UFS 3.1 é tecnicamente superior, oferecendo velocidades de leitura e escrita sequenciais e aleatórias mais altas, além de ser mais eficiente energeticamente, comparado ao UFS 2.2.
  • É possível que um telefone com UFS 2.2 seja mais rápido que um com UFS 3.1?
    Sim, como demonstrado em testes práticos, otimizações de software inadequadas nos aparelhos com UFS 3.1 podem fazer com que modelos com UFS 2.2 entreguem melhor performance no uso diário.
  • O que é UMCP e como ele afeta o desempenho do armazenamento?
    UMCP significa Unified Multi-Chip Package, onde RAM e armazenamento ficam no mesmo módulo. Isso geralmente resulta em melhor eficiência geral do sistema de armazenamento.
  • Por que algumas marcas colocam UFS 3.1 em modelos baratos e UFS 2.2 em modelos caros?
    Embora o UFS 3.1 seja tecnicamente superior, as marcas podem estar cortando custos em modelos mais caros ao usar UFS 2.2, ou otimizando o UFS 3.1 de forma deficiente em modelos de entrada.