A Descoberta do Destroier Japonês Teruzuki no Iron Bottom Sound
Recentemente, a equipe de exploração da Ocean Exploration Trust, utilizando veículos operados remotamente (ROV) e drones de mapeamento oceânico não tripulados, capturou imagens notáveis de um naufrágio que está ajudando a reescrever a história: o destróier japonês Teruzuki, da época da Segunda Guerra Mundial, que não era visto há 83 anos.
A descoberta foi feita em uma área conhecida como Iron Bottom Sound. Este local recebeu esse nome devido às inúmeras batalhas da Segunda Guerra Mundial travadas ali, resultando em uma grande quantidade de destroços de navios e aeronaves naufragadas espalhados pelo leito oceânico. O Iron Bottom Sound e a Batalha de Guadalcanal, da qual faz parte, representam um dos confrontos navais mais significativos da história naval americana, e não apenas da Segunda Guerra Mundial.
Tecnologia em Ação: Nautilus e Dris
A equipe do veículo explorador (EV) Nautilus esteve explorando vários naufrágios conhecidos na região, ao mesmo tempo que procurava por novos sítios com a assistência de equipamentos avançados.
Um desses equipamentos é o Dris, um veículo de 25 pés de comprimento que mapeia o fundo do mar utilizando sonar. Ele é capaz de mapear a paisagem subaquática a profundidades de até 3.000 metros, embora funcione melhor entre 500 e 1.000 metros, tudo isso sem ter uma única pessoa a bordo.
Embora algumas pessoas se refiram a esses veículos como veículos de superfície autônomos (ASV), a equipe prefere o termo não tripulado. Isso ocorre porque, apesar da tecnologia sofisticada a bordo, um piloto monitora tudo em tempo real em um centro de operação remoto.
A equipe remota do Dris consegue monitorar inúmeras câmeras e sensores a bordo de potencialmente centenas de milhas de distância. O processo de exploração começou com a calibração do sistema, observando naufrágios conhecidos para entender como um destroço se manifestava no sonar. Em seguida, foram desenvolvidas abordagens para otimizar a detecção de novos alvos.
Os dados coletados pelo Dris ajudam a direcionar o EV Nautilus e sua tripulação para novos pontos de interesse que podem revelar mistérios e histórias perdidas nas profundezas do oceano.
A Localização do Teruzuki
A cerca de 800 metros de profundidade, a tripulação do EV Nautilus encontrou o naufrágio do Teruzuki pela primeira vez. Esta foi uma descoberta muito empolgante que, segundo a equipe, mudou a história.
Ao investigar um potencial naufrágio detectado pelos dados do Dris, é necessário montar o que foi encontrado peça por peça através de exploração adicional.
Perigos da Exploração Profunda
Ao se aproximar de um destroço, existem perigos significativos. Podem haver redes de pesca presas nos destroços, bem como cabos e outros objetos. Essa é uma situação muito perigosa para o ROV. Por isso, a equipe geralmente mantém o veículo a cerca de 50 metros do fundo e utiliza o sonar. Somente após mapear a área com sonar, os pilotos do ROV podem planejar cuidadosamente o trabalho de fotogrametria.
No caso do Teruzuki, inicialmente não se sabia se era um navio japonês ou americano. A identificação foi feita analisando evidências: primeiro, observando a âncora, que indicou ser japonês. Em seguida, examinando características como o número de torres de canhão ou tubos de torpedo. Eventualmente, a análise confirmou que se tratava do Teruzuki.
Devido ao sigilo da Marinha Japonesa durante a guerra, não havia imagens históricas conhecidas do Teruzuki antes de seu naufrágio. O EV Nautilus está, portanto, compartilhando as primeiras imagens públicas deste destróier histórico.
Várias formas de vida marinha foram vistas fazendo morada nas torres, fendas e reentrâncias do navio. Qualquer parte que se projeta, como uma torre de canhão ou o convés lateral, que se destaca na correnteza, atrai crescimento marinho, como corais, anêmonas e pequenos vermes.
Mudando a Narrativa Histórica
Para ter uma noção de como o navio era antes de afundar, a equipe consultou desenhos do Escritório de Inteligência Naval dos EUA, além de fotos de um destróier similar da classe Akitsuki.
Originalmente, acreditava-se que o Teruzuki havia afundado devido à explosão de cargas de profundidade a bordo – utilizadas na guerra antissubmarino. No entanto, quando o EV Nautilus descobriu as cargas de profundidade do Teruzuki intactas ao longo do casco, essa teoria há muito tempo aceita foi refutada.
Essas cargas de profundidade também representavam um perigo adicional para a equipe do EV Nautilus, pois tais artefatos podem detonar mesmo após décadas no fundo do oceano. A equipe foi alertada para ter cuidado extra, pois alguns artefatos japoneses daquela época eram conhecidos por serem excessivamente sensíveis.
A descoberta do naufrágio provou que foram torpedos americanos que afundaram o destróier japonês. Embora a maioria da tripulação do Teruzuki tenha sobrevivido, nove vidas foram perdidas.
Desafios e Segurança na Exploração
Apesar do avanço das tecnologias que tornam a exploração oceânica mais eficiente, a equipe do EV Nautilus e seus veículos operados remotamente continuam enfrentando desafios. Backups de bateria, uma conexão de internet via satélite e uma boa e velha missão de resgate podem ser úteis quando as coisas não saem como planejado. A equipe mencionou ter tido incidentes onde o motor parou devido a bolhas de ar na linha de combustível, o que é assustador quando um veículo multimilionário está flutuando.
A equipe está explorando o uso dos dados coletados para desenvolver sistemas de aprendizado de máquina que ajudem a identificar alvos para futuras explorações.
Perguntas Frequentes
- O que é o Iron Bottom Sound?
É uma área no oceano que ganhou esse nome devido aos numerosos naufrágios de navios e aeronaves da Segunda Guerra Mundial que jazem em seu leito marinho. - Como o Dris auxilia na exploração?
O Dris é um veículo de mapeamento não tripulado que utiliza sonar para criar um mapa do fundo do mar, ajudando a identificar potenciais locais de naufrágios para investigação posterior pelo EV Nautilus. - Por que a descoberta do Teruzuki é historicamente importante?
Ela refutou a teoria anterior de que o navio afundou devido à explosão de suas próprias cargas de profundidade, indicando que torpedos americanos foram a causa do naufrágio. - É seguro operar perto de artefatos da guerra?
Não, é perigoso. Artefatos como cargas de profundidade podem permanecer sensíveis e detonar mesmo após décadas submersos. A equipe precisa ter extrema cautela ao planejar a exploração de perto. - Qual a profundidade média de operação para mapeamento ideal?
O Dris é capaz de mapear até 3.000 metros, mas atinge sua melhor performance ao trabalhar entre 500 e 1.000 metros de profundidade.






