Relato de Voo: Acompanhando Eventos Críticos do Lançamento
Este artigo detalha os momentos cruciais de uma missão de voo, cobrindo desde a fase inicial de ascensão até a separação de estágios e os pousos dos veículos.
Fase de Ascensão e Estabilidade do Booster
A contagem regressiva se completa e o voo se inicia. Aproximadamente 40 segundos após o lançamento, com o veículo já em movimento, o sistema de telemetria indica que a pressão da câmara do *booster* está sob controle.
Em torno de 33 segundos de voo, os sistemas de energia e telemetria dos aviônicos são reportados como nominais, com *call outs* positivos sobre a saúde dos sistemas do *booster* à medida que ele começa a realizar o movimento de arfagem (*pitch*) sobre o Golfo.
Pouco depois, a trajetória atravessa o período de máxima pressão dinâmica, o ponto de maior estresse para o veículo.
Hot Staging e Separação de Estágios
O próximo evento significativo, o *hot staging*, está programado para ocorrer em pouco mais de 90 segundos.
Para preparar este momento, o *booster* executa os seguintes procedimentos:
- Desliga todos os seus motores Raptor, exceto três.
- Os grampos que unem os dois estágios são liberados.
- O estágio superior (*Starship*) aciona seus motores.
A separação de estágios é confirmada, e é reportado que seis motores no *Ship* (o estágio superior) estão operacionais. Simultaneamente, o *booster* inicia a queima de retorno (*boost back burn*), direcionando-se ao seu local de *splashdown* (pouso na água) no Golfo.
Pouso do Booster
Com a confirmação de todos os seis motores Raptor ligados no *Ship*, a atenção se volta para o pouso do *booster*.
A queima de pouso (*landing burn*) é iniciada. Observa-se uma redução no número de motores ativos:
- Dos 13 motores iniciais, o número é reduzido para três, incluindo um do anel intermediário.
- Posteriormente, o número cai para dois motores ativos.
Após um breve período de pairada (*hover*) e o término da queima de pouso, o *booster* realiza seu *splashdown* no Golfo. O voo do *booster* é classificado como um sucesso.
Fase Orbital e Desdobramento de Carga
Enquanto o *booster* pousa, o *Starship* continua sua jornada. Ocorre o desligamento dos motores a vácuo e, em seguida, o *Ship Engine Cutoff* (desligamento dos motores do *Ship*), com o desligamento bem-sucedido dos três motores centrais.
Neste momento, a missão passa a focar no desdobramento da carga útil. Trata-se de simuladores de satélites (no formato V3 Starlinks) que estão a bordo do *Starship PEZ dispenser*. Estão sendo carregados oito simuladores, com a previsão de que sejam liberados a uma taxa de um por minuto, conforme planejado anteriormente.
Os primeiros desdobramentos são observados, com a confirmação da ejeção de sete dos oito simuladores, completando a primeira operação de desdobramento de carga útil. É ressaltado que o veículo está em uma trajetória suborbital, e os simuladores seguirão a mesma trajetória, queimando completamente antes de atingir o Oceano Índico.
Com o último simulador ejetado, a fase de desdobramento é concluída com sucesso.
Reentrada e Pouso do Starship
Cerca de 55 minutos e meio após o início do voo, com o sol já visível (o voo foi projetado para decolar no final da tarde para capturar vistas diurnas), o *Starship* alcança o ponto de pico de aquecimento na reentrada atmosférica.
O veículo inicia a manobra de “belly flop” (voo de barriga) e se prepara para o movimento de rotação (*flip swing out*).
O *Starship landing burn start up* é iniciado, com três motores sendo acionados, seguido pela manobra de inversão (*flip*).
Ainda durante a descida, é avistada uma boia alimentada por Starlink na zona de pouso no Oceano Índico, que deve fornecer uma visão do pouso. Se as imagens ao vivo não vierem do próprio *Ship*, isso indica que o alvo de pouso foi atingido com precisão.
Por fim, o *Starship* realiza seu pouso, que é confirmado, marcando o final da sequência de eventos críticos deste voo.
Perguntas Frequentes
- O que é o “hot staging”?
É o procedimento no qual o estágio superior aciona seus motores enquanto ainda está conectado ao estágio inferior (booster), momentos antes da separação física dos dois veículos. - Por que o voo é desenhado para decolar à noite?
O objetivo é permitir que as fases finais do voo, como a reentrada do Starship, ocorram durante o dia, proporcionando melhores condições de gravação e visibilidade para as câmeras a bordo e para os receptores em terra/mar. - O que são os simuladores de satélite?
São objetos de teste com tamanho similar aos satélites Starlink V3, utilizados para praticar o procedimento de desdobramento de carga útil em uma trajetória suborbital. - Qual é a trajetória dos simuladores após a ejeção?
Eles seguem a mesma trajetória suborbital do Starship, queimando totalmente na atmosfera antes de atingir o Oceano Índico. - É possível que o pouso do Starship seja feito na água?
Sim, o local de pouso do Starship nesta missão foi no Oceano Índico, um procedimento conhecido como *splashdown*.






