Experiência de Dirigir um Tesla com Full Self-Driving nos EUA: Um Relato Detalhado
Passar por uma experiência de dirigir um veículo elétrico com recursos avançados de autonomia nos Estados Unidos é algo que vale a pena ser compartilhado. Neste artigo, vamos explorar como é utilizar o **Full Self Driving (FSD)**, especificamente a versão 14.2, em um Tesla Model Y.
O Carro Alugado e o Carregamento
Para esta viagem, foi alugado um **Tesla Model Y** novíssimo, do ano corrente, com cerca de 6.000 km rodados. O Model Y é considerado um carro mais confortável que o Model 3, por ser mais alto.
Uma parte essencial da experiência de carro elétrico é o carregamento. Foi utilizado um carregador super rápido, capaz de atingir uma potência de até 250 kW. A velocidade é impressionante: com uma pausa de apenas 15 minutos, já se obtém bateria suficiente para o resto do dia.
Um aspecto muito elogiado é a simplicidade do processo de carregamento. Não há necessidade de escanear QR codes ou usar aplicativos. Basta encostar o carro, puxar o cabo e conectar; o sistema é cobrado automaticamente no cartão cadastrado.
Ativando o Full Self Driving (FSD)
A experiência com o FSD na versão 14.2 é o ponto alto deste relato. Após entrar no carro, colocar o cinto de segurança e definir o destino no mapa (como a Target, por exemplo), basta apertar “Start Full Self Driving”. A partir daí, o carro assume o controle total.
O FSD versão 14, recém-lançado na época, demonstrou ser mais rápido na tomada de decisões e mais capaz de lidar com situações de tráfego complicadas em comparação com versões anteriores. O carro realiza todas as manobras sozinho, desde sair da vaga de carregamento até planejar a rota completa.
É importante notar que este veículo possui **Hardware 4**, o que significa câmeras melhores e um computador de bordo (GPU) mais potente para processar a inteligência artificial necessária para a direção autônoma.
Modos de Condução
O sistema oferece diferentes perfis de condução que influenciam o comportamento do carro:
* **Modo Mad Max:** O modo mais agressivo, onde o carro tenta “costurar” entre as faixas (de forma mais sensata que a condução humana agressiva) para tentar ganhar tempo.
* **Modo Preguiça (Sluff):** O modo mais lento e cauteloso.
* **Modos Normal e Apressado:** Opções intermediárias.
O perfil de velocidade é ajustado com base na leitura das placas de limite, que são convertidas para quilômetros/hora. O usuário pode configurar um *offset* (margem de tolerância), como 10% acima do limite. Mesmo no modo mais agressivo, o carro respeita os limites de velocidade lidos nas placas.
Desempenho em Situações Reais
O sistema foi testado em uma viagem de Nova York a Scranton e no retorno a New Jersey, percorrendo quase 1000 km utilizando o FSD.
Em situações como conversões complexas à direita (onde é permitido nos EUA, a menos que sinalizado o contrário) ou manobras em rotatórias, o carro demonstra boa capacidade. No trânsito de Natal, ele esperou com segurança uma abertura entre os carros para realizar a conversão.
O sistema também se mostrou eficiente ao lidar com estacionamentos de shoppings, procurando vagas de forma autônoma.
Entretanto, apesar da performance geral ser “uma beleza”, alguns erros menores foram notados:
* Em Scranton, o carro errou acessos a rodovias em algumas ocasiões, fazendo curvas prematuras em pequenas entradas de estacionamentos e precisando corrigir a rota.
* Em um shopping lotado, ao não encontrar vaga, o carro começou a rodar em círculos no estacionamento, sem procurar ativamente por vagas em outras áreas.
Apesar desses pequenos *gafes*, o que realmente importa — como desviar de obstáculos, manter-se na pista e lidar com acessos complicados em rodovias — foi executado muito bem.
A Natureza Supervisionada do FSD
É crucial reforçar que, mesmo com o Full Self Driving (FSD) ativo, o motorista deve manter a atenção. O sistema ainda é supervisionado.
Se o motorista retira o celular da mão ou desvia o olhar da rua por muito tempo, o carro emite um aviso sonoro e visual. Ignorar repetidamente esses alertas resulta em *strikes* e pode levar à suspensão temporária do uso do FSD. O sistema visa educar o motorista, lembrando que o carro não é completamente autônomo (ainda não é a versão *unsupervised*).
A versão não supervisionada, que permite que o motorista realmente não preste atenção, está prevista para os próximos anos, mas a tecnologia atual já é considerada um avanço maravilhoso para o turismo, permitindo apreciar a paisagem sem o cansaço de dirigir por longas horas.
Aluguel do Veículo
Para alugar este modelo com FSD nos EUA, foi utilizada a plataforma **Turo**, descrita como um “Airbnb para carros”. Esta plataforma permite alugar veículos diretamente de proprietários individuais, evitando a burocracia de locadoras tradicionais de aeroporto. É comum encontrar Teslas com FSD disponíveis nesta plataforma. O custo do aluguel do Model Y novinho com FSD foi de aproximadamente $100 dólares por dia durante quase uma semana.
O conforto do Model Y também se estende ao entretenimento: durante paradas para lavar roupa, foi possível assistir Netflix na tela central.
Considerações Finais sobre a Tecnologia
A experiência geral foi extremamente positiva. O carro não apenas dirige sozinho, mas também demonstra uma capacidade notável de interpretar as intenções de outros motoristas, parando respeitosamente em *stop signs* e esperando sua vez em conversões à esquerda, mesmo que isso signifique sacrificar um pouco de tempo.
A tecnologia de câmeras é excelente, incluindo a câmera frontal presente nos modelos mais novos, que ajuda na limpeza automática quando o fluido de lavagem é ativado.
Em contraste, o **Autopilot** disponível no Brasil (que centraliza o carro na faixa, mas exige controle manual de velocidade e não faz curvas) é muito mais básico. A expectativa é que melhorias futuras, como o uso de ferramentas de terceiros para simular funcionalidades avançadas (como o Comma AI com Open Pilot, que traz um sistema similar ao Autopilot), possam aprimorar a experiência em países onde o FSD completo não está disponível.
Perguntas Frequentes
- O que é o Full Self Driving (FSD) versão 14.2?
É a versão mais recente do sistema de direção autônoma da Tesla, que permite ao carro dirigir sozinho, realizando manobras complexas, como curvas e mudanças de faixa, sob supervisão constante do motorista. - Qual a diferença entre o FSD e o Autopilot?
O Autopilot apenas centraliza o carro na faixa e mantém a velocidade definida manualmente, enquanto o FSD navega autonomamente por rotas complexas, lê placas de velocidade e realiza conversões. - É possível alugar um Tesla com FSD nos EUA?
Sim, é possível utilizando plataformas como Turo, que conectam motoristas a proprietários individuais de veículos. - Por que o motorista ainda precisa ficar atento ao usar o FSD?
O FSD é um sistema supervisionado; o motorista é legalmente responsável pela condução e o sistema emite alertas para garantir que a atenção não seja desviada da pista. - Qual o impacto do Hardware no desempenho do FSD?
Modelos com Hardware 4 (como o do relato) possuem câmeras e um computador de bordo mais potentes, resultando em decisões mais rápidas e melhor performance em situações difíceis, comparado a sistemas com Hardware 3.






