Explorando o Red Star OS: O Sistema Operacional da Coreia do Norte
Após analisar informações sobre um smartphone norte-coreano, surgiu grande curiosidade sobre a tecnologia daquele país misterioso. Pesquisando mais a fundo, encontrei uma versão vazada de um sistema operacional completo desenvolvido pela Coreia do Norte: o Red Star OS.
Este sistema é criado pelo governo oficial do país e foi instalado em um laptop para uma análise detalhada. Inicialmente, a primeira impressão ao instalá-lo remete a uma versão mais antiga do Mac OS. No entanto, após um uso mais extenso, a experiência se mostrou completamente diferente de um sistema Mac ou Windows; trata-se de uma espécie à parte, fortemente restrita e repleta de vigilância.
Primeiras Impressões e Configuração
A aparência inicial do Red Star OS é, inegavelmente, inspirada no Mac. Contudo, na realidade, ele é um Linux D.R.O. completamente customizado pelo governo.
A configuração inicial não foi simples, pois todo o processo estava em coreano. Foi necessário utilizar ferramentas de tradução a cada passo. Uma vez concluída a instalação, a interface foi alterada para o inglês através de um comando de terminal.
Na tela inicial, observa-se uma barra de menu superior semelhante à do Mac OS, mas o logotipo da Apple é substituído por um ícone de estrela. Há também uma bandeira vermelha no lado direito que não é clicável, servindo apenas como elemento decorativo.
Na parte inferior, há um “dock” que exibe os aplicativos do sistema. Ao passar o cursor sobre os ícones do dock, eles se magnificam exatamente como ocorre no Mac. O restante da tela é notavelmente limpo, sem nenhum ícone ou atalho visível.
Aplicativos padrão também possuem nomes alterados, mantendo a estética original:
- O aplicativo Finder é renomeado como Kfinder.
- Os aplicativos de calendário e fotos seguem o mesmo padrão de semelhança visual.
É importante notar que este sistema operacional é bastante leve, e seus requisitos mínimos de sistema são muito reduzidos.
A Surpreendente Restrição de Navegação
O aspecto mais chocante do Red Star OS é a forma como ele lida com a conectividade.
Ao verificar os aplicativos, notamos o ícone do navegador próprio da Coreia do Norte, o Nyan browser. A peculiaridade deste navegador é que ele não permite a conexão com a internet global.
A razão para isso é clara: o governo norte-coreano busca manter sua população isolada do resto do mundo, bloqueando completamente o acesso à internet para todos os cidadãos.
Como alternativa, existe uma rede privada, o Quangmayong, onde os usuários podem acessar apenas conteúdo aprovado pelo governo. Este conteúdo inclui:
- Artigos de notícias aprovados.
- E-mail básico.
- Mensagens.
- Bibliotecas educacionais.
- Filmes e programas locais.
Não há nada além disso disponível.
Vigilância Integrada e Rastreamento de Arquivos
O controle não se limita apenas ao que é consumido; o sistema registra todo o histórico de tráfego do navegador e as palavras-chave digitadas no laptop. Além disso, há controles de acesso integrados com o governo. No Red Star OS, o modo de navegação anônima simplesmente não existe.
Devido a essa internet altamente controlada e restrita, os cidadãos norte-coreanos ainda não têm acesso a mídias sociais. Pagamentos online e comércio eletrônico só começaram a ser implementados muito recentemente.
Se você pensar em desligar o Wi-Fi para fazer o que quiser sem ser notado, isso não funcionará, pois a fiscalização está sempre ativa.
Monitoramento de Documentos com Watermarking Oculto
Um aplicativo notável é o Sobang office, que permite rodar ferramentas equivalentes ao Excel, Word ou PowerPoint. O aspecto alarmante aqui é que todo documento salvo possui um sistema de marca d’água que registra:
- O ID único do computador.
- O número de série do sistema operacional.
- O carimbo de data/hora (timestamp).
- Informações de hardware.
- Detalhes completos da conta do usuário.
Essa marca d’água está oculta profundamente na estrutura do arquivo e não é visível no documento, impossibilitando sua remoção.
Mesmo que um documento seja compartilhado com centenas de pessoas, cada vez que o arquivo é aberto em um novo laptop, ele armazena as informações daquele dispositivo na marca d’água oculta. Assim, os oficiais do governo conseguem rastrear o arquivo até sua fonte original, não importa o quão longe ele tenha viajado.
Este rastreamento não se limita a documentos. Um ID de rastreamento está anexado a qualquer forma de mídia, seja fotos ou vídeos. Para imagens, ele insere um bloco XIF personalizado.
Cientistas alemães tentaram desabilitar esse rastreamento, mas em todas as tentativas, o sistema operacional travava ou falhava ao inicializar. Portanto, não há maneira de contornar essa vigilância.
A única área onde alguma liberdade foi encontrada ao usar o Red Star OS foi na escolha de papéis de parede, onde há uma seleção razoável para aplicar o que o usuário realmente gosta.
O Cenário dos Smartphones Norte-Coreanos
A experiência com os smartphones norte-coreanos é tão restritiva quanto a do sistema operacional de desktop. Os telefones também não se conectam à internet global e não possuem lojas de aplicativos.
Todos os aplicativos presentes são monitorados pelo governo, incluindo o aplicativo de câmera. Para instalar qualquer aplicativo, é necessário acessar uma loja aprovada pelo governo.
Conclusão: Máquina de Vigilância
Após dias utilizando o Red Star OS, fica evidente que este não é um sistema operacional; é uma máquina de vigilância. Tudo o que o usuário faz é rastreado, controlado, monitorado e registrado.
Para milhões de pessoas na Coreia do Norte, essa realidade não é um experimento tecnológico, mas sim a vida cotidiana. Não seguir as regras, tentar burlar o sistema ou cometer o menor erro pode levar a sérios problemas. Por exemplo, assistir a um filme estrangeiro proibido pode resultar em prisão; se o filme for da Coreia do Sul, a punição pode ser tão severa quanto a pena de morte.
A reflexão final é: e se todos os países começassem a agir como a Coreia do Norte? É algo a se considerar.
Perguntas Frequentes
- O que é o Red Star OS?
É um sistema operacional desenvolvido pelo governo da Coreia do Norte, baseado em Linux e altamente customizado para monitoramento e restrição de acesso. - Como funciona a conectividade na Coreia do Norte?
O acesso à internet global é bloqueado. Os usuários acessam apenas uma rede privada chamada Quangmayong, com conteúdo estritamente aprovado pelo governo. - É possível desativar o rastreamento em arquivos?
Não. O sistema insere marcas d’água ocultas (ID de rastreamento) em todos os documentos e mídias, e qualquer tentativa de removê-las causa a falha ou o travamento do sistema operacional. - Qual a semelhança do Red Star OS com outros sistemas?
Visualmente, ele se assemelha a uma versão antiga do Mac OS, especialmente na barra de menu e no dock, mas funcionalmente é muito diferente e mais restritivo. - Qual a situação dos aplicativos em smartphones norte-coreanos?
Os smartphones operam de forma semelhante, sem acesso à internet global, com todos os aplicativos monitorados e exigindo instalação através de lojas oficiais aprovadas pelo governo.






