Lançamento da Crew 11: Rumo à Estação Espacial Internacional
A contagem regressiva chegou a zero, e a missão atingiu potência máxima, resultando no “Lift off”. Com a ascensão da NASA e SpaceX Crew 11 em direção à Estação Espacial Internacional (ISS), o veículo demonstrou um empuxo de 1,7 milhão de libras, com a propulsão nominal, conforme o Falcon 9 se inclinava para a trajetória definida, seguindo pela costa leste.
A missão se juntará à Expedition 73 a bordo do laboratório orbital. Até o momento, foram registrados bons relatórios sobre o desempenho do primeiro estágio.
Os Primeiros Minutos de Voo
T+ 35 segundos de missão para a Crew 11 a bordo do Dragon e Falcon 9. Os motores do Falcon 9 iniciaram o “throttle down” (redução de potência) para gerenciar a passagem pelo período de max Q, ou pressão aerodinâmica máxima durante a subida. A telemetria confirmou que tudo estava nominal.
Pouco tempo depois, foi confirmado o max Q. O Falcon 9 atingiu o regime supersônico com 1 minuto e 9 segundos de voo, iniciando o que se esperava ser um voo de aproximadamente 9 minutos até a órbita, com o Dragon continuando sua jornada.
O controle de missão registrou a passagem pela zona de abortagem “Stage one Bravo”, o que significa a zona de aborto do primeiro estágio, caso fosse necessário. Nesse ponto, a tripulação já estava suportando mais de 2 Gs.
Eventos Críticos em Sucessão Rápida
Uma série de eventos cruciais estava prestes a ocorrer em rápida sucessão, preparando o caminho para a continuação da missão:
- Aquecimento do segundo estágio (MVAC chill).
- MEO (Main Engine Cutoff): O corte dos nove motores do primeiro estágio.
- Separação entre o primeiro e o segundo estágios.
- Ignição do único motor Merlin a vácuo do segundo estágio para levar a Crew 11 à órbita, enquanto o primeiro estágio iniciava seu retorno à Terra.
Com 1 minuto e 56 segundos de voo, os nove motores Merlin começaram a reduzir a potência, preparando-se para o MEO. O chamado para o MVAC chill foi ouvido, seguido de perto pelo MEO.
Menos de 20 segundos depois, cinco eventos ocorreram em sequência:
- MEO (Main Engine Cutoff).
- Redução de potência do estágio um.
- Separação de estágios.
- Flip do estágio um (Stage one flip).
- SCS1 (Stage Separation Confirmation 1).
- Início do impulso de retorno (Boost back burn).
Após o corte, a confirmação de separação de estágios (“Stage two alpha”) e a ignição do motor (“back ignition”) foram confirmadas. Foi possível observar o estágio um se afastando, e a ignição do motor Merlin a vácuo para o segundo estágio, tudo ocorrendo rapidamente enquanto o veículo ganhava altitude sobre a costa da Flórida.
Aproximadamente 3 minutos de voo, a missão se aproximava de 6 minutos de voo propulsado restante. O motor Merlin a vácuo, no lado direito, estava em operação, e o estágio um iniciava seu retorno à Terra, visível no lado esquerdo.
O Retorno do Primeiro Estágio
Com cerca de 5 minutos e meio de voo propulsado restantes, a trajetória de ambos os veículos era monitorada: o estágio dois e a Crew 11 subindo, e o estágio um se preparando para pousar na Zona de Pouso Um (Landing Zone 1). Esta seria a última aterrissagem para aquele propulsor Falcon 9.
A trajetória da Dragon estava nominal. As equipes confirmavam que ambos os veículos estavam no caminho certo para a órbita. O propulsor do primeiro estágio seguiu para a Zona de Pouso Um, e as grid fins (aletas de grade) foram abertas para auxiliar no controle.
O primeiro estágio tinha eventos programados antes do pouso:
- Entry Burn (Queima de Entrada): A segunda de três queimas para desacelerar o veículo antes de atingir as partes mais densas da atmosfera terrestre. O Falcon 9 utiliza um complexo escudo térmico para proteger os motores e a estrutura durante o estresse aerodinâmico máximo (max entry Q).
- Após a queima de entrada, ocorreria a queima de pouso (landing burn).
A cerca de 6 minutos e 15 segundos de voo, a queima de entrada começou, sendo a segunda de três queimas para retornar o propulsor à Zona de Pouso Um. Após o término da queima de entrada, o estágio um estava visível retornando à costa da Flórida, enquanto o segundo estágio seguia impulsionando a Crew 11 para a órbita.
Chegada à Órbita
Faltando pouco mais de 2 minutos de voo propulsado, a missão estava se aproximando da queima de pouso, que utilizaria três motores (1, 5 e 9) para desacelerar o estágio um antes do toque final na Zona de Pouso Um (LZ1).
Apesar da complexidade, foram ouvidos os comandos esperados: “Stage one landing burn” e “Stage one landing leg deploy”. Houve um retorno fantástico do propulsor do estágio um, com um pouso bem-sucedido na LZ1.
Com menos de um minuto de voo propulsado restante no segundo estágio, o comando “seco” (SECO, Second Engine Cutoff) foi anunciado, marcando o fim da propulsão ativa.
A seguir, ocorreram:
- SECO (Second Engine Cutoff), confirmando a chegada ao espaço.
- Stage separation: Separação entre o Dragon e o estágio dois.
- Nominal Orbit Insertion (NOI): Inserção orbital nominal.
Com o NOI confirmado, a Crew 11 alcançou a microgravidade. Os sistemas foram desarmados. O Dragon Endeavour, com a Crew 11 a bordo, estava agora em órbita. A equipe de solo expressou sua alegria e honra em conduzir a missão, passando o controle para a equipe do Dragon para a aproximação final à ISS.
Boas-vindas em Órbita
A tripulação demonstrou grande satisfação com a chegada, descrevendo a experiência como transcendente. Eles cumprimentaram as equipes da Roscosmos, SpaceX e NASA pelo apoio na oportunidade única.
A primeira etapa da missão foi concluída com sucesso. A tripulação foi instruída a apresentar o indicador de gravidade zero (zero G indicator) durante o breve tempo restante de comunicação com o controle em terra, que honrava um mentor da equipe. Eles expressaram orgulho por terem cumprido a missão para todos os que os apoiaram.
Perguntas Frequentes
- O que é o Max Q durante o lançamento?
Max Q, ou pressão aerodinâmica máxima, é o ponto durante a subida do foguete onde o estresse aerodinâmico sobre o veículo é o maior. O veículo reduz a potência dos motores nessa fase para gerenciar essa pressão. - Como funciona o retorno do primeiro estágio?
O primeiro estágio realiza três queimas principais: o impulso de retorno (boost back burn), a queima de entrada (entry burn) para desacelerar na atmosfera, e a queima de pouso (landing burn) para atingir a velocidade necessária para pousar com segurança. - Qual a função do motor Merlin a vácuo?
O motor Merlin a vácuo é utilizado no segundo estágio do foguete. Ele é projetado para operar eficientemente no vácuo do espaço, fornecendo o empuxo necessário para colocar a cápsula Dragon em órbita. - O que significa a confirmação de “SECO”?
SECO significa “Second Engine Cutoff” (Corte do Segundo Motor). É o sinal de que o motor do segundo estágio desligou após completar a fase de aceleração necessária para atingir a órbita desejada. - É possível saber a altitude de pouso do primeiro estágio?
Sim, o objetivo do retorno do primeiro estágio é pousar em uma zona designada, como a Zona de Pouso Um (LZ1), a poucos quilômetros do local de lançamento.






