Análise Detalhada: Sony Xperia 1 Mark 7 – Nostalgia ou Retrocesso Tecnológico?
O recém-lançado Sony Xperia 1 Mark 7 chega ao mercado com uma proposta que o faz parecer estranhamente deslocado na era atual, como se fosse um telefone de uma época passada, e não um dispositivo de 2025. É, de certa forma, o aparelho mais “anti-2025” que se pode encontrar.
Contudo, ele não é inteiramente ruim, pois oferece características que outros smartphones não possuem. O aparelho representa uma combinação curiosa entre o charme da velha escola e as tendências mais recentes. Este artigo detalha o que esperar deste lançamento.
Unboxing e Design Estranho
A experiência de abrir a caixa do Xperia 1 Mark 7 é notavelmente diferente da que estamos acostumados com outros smartphones modernos. O conteúdo da embalagem segue essa linha: encontramos o telefone e alguns papéis, e é só isso.
O que está ausente é significativo:
- Nenhum bloco de carregamento (carregador).
- Nenhum cabo de carregamento.
- Nenhuma ferramenta ejetora de SIM.
A ausência da ferramenta ejetora de SIM não é um grande problema, pois é possível abrir a bandeja de forma mais “antiga”, o que traz um toque nostálgico. No entanto, a remoção do cabo de carregamento da caixa é um passo ousado, algo que poucas fabricantes se atreveriam a fazer atualmente.
Construção e Detalhes do Corpo
Ao pegar o telefone, ele transmite uma sensação premium com seu design mais quadrado (boxy). A estrutura é feita de metal, e a parte traseira é de vidro. O que chama a atenção é a textura muito agradável aplicada sobre o corpo, que convida ao manuseio constante.
Essa textura na parte traseira possui um detalhe curioso: ela funciona como uma lixa para filetar unhas. Além disso, as laterais proporcionam uma aderência excelente. Em um teste comparativo, enquanto um iPhone escorregava facilmente em uma das mãos, o Xperia manteve-se firme.
Apesar de possuir certificações de resistência à água IP65 e IP68, o aparelho mantém elementos “antigos”, como:
- Uma bandeja SIM híbrida facilmente removível na parte inferior.
- Um conector para fones de ouvido (headphone jack) na parte superior.
Embora seja tecnicamente possível ter classificação IP com um conector de áudio, o fato de ele estar presente chama a atenção. Vale notar que este não é um conector comum; ele é soldado com resistores revestidos de cobre, o que resulta em uma qualidade de áudio notavelmente boa.
O Display: Um Sacrifício pela Funcionalidade
Ao ligar o telefone pela primeira vez, a característica mais notável do display são as bordas (bezels). Embora as bordas laterais sejam aceitáveis, as margens superior e inferior são desconfortavelmente grandes quando comparadas a modelos contemporâneos, como o iPhone 16 Pro Max.
Essas bordas maiores existem por um motivo funcional: elas abrigam **alto-falantes frontais duplos**, algo que nenhum outro telefone oferece. Isso garante uma qualidade de som superior, e, crucialmente, os alto-falantes não são obstruídos quando o usuário segura o telefone horizontalmente para assistir a filmes ou jogar.
A questão que se coloca é: o que o consumidor prioriza? Bordas mais finas ou melhor qualidade de som?
Em termos de especificações técnicas, a tela é um painel LTPO de 6.5 polegadas com taxa de atualização de 120 Hz. No entanto, há decepções:
- A resolução caiu de 4K para 1080p, o que é lamentável para um flagship em 2025, já que modelos de entrada oferecem telas 1.5K.
- A tecnologia LTPO utilizada não é a mais recente, limitando a taxa de atualização mínima a 30 Hz.
Isso reforça a dualidade do aparelho: ele preserva características essenciais (como o headphone jack e bons alto-falantes), mas falha em adotar inovações básicas de tela.
Desempenho e Câmeras
Em termos de hardware interno, o Xperia 1 Mark 7 oferece especificações de ponta, incluindo o processador Snapdragon 8 Elite, muita memória RAM e armazenamento. No entanto, o desempenho não parece ser otimizado:
- A estabilidade do sistema não é boa.
- As temperaturas atingem níveis elevados.
Parece que não houve otimização de software para acompanhar o hardware de alto nível.
Esperava-se excelência nas câmeras por ser um produto Sony, mas a realidade é mista:
- A câmera principal de 52 MP entrega fotos muito boas, tanto durante o dia quanto à noite.
- A câmera ultra-wide de 50 MP utiliza um sensor maior que o da principal, mas as fotos resultantes são menos nítidas, embora os detalhes sejam aceitáveis.
- A lente telefoto de 12 MP oferece um zoom contínuo impressionante, variando fisicamente de 3.5x a 7.1x. As imagens produzidas nessa faixa são detalhadas.
Um ponto fraco notável é o processamento de imagem da Sony. Diferente de outras marcas que aplicam pós-processamento pesado (como Vivo, que supera Apple e Samsung nesse aspecto), a Sony opta por não processar muito as imagens. Isso pode ser ideal para fotógrafos que querem a imagem crua, mas é desfavorável para o usuário médio atual.
Para vídeos, as gravações em 4K 60fps com a câmera principal são excelentes e estáveis. Há também um recurso chamado Autoframing, que rastreia os olhos do usuário e move a câmera para mantê-lo sempre no centro do quadro, funcionando de maneira eficiente.
Bateria e Software
A área da bateria também remete ao passado. O aparelho vem com uma bateria de 5.000 mAh, o que, por si só, não é ruim. O problema reside na velocidade de carregamento:
- O carregamento com fio é lento, limitado a 30W.
- O carregamento sem fio suporta apenas 15W, sendo mais lento que o de um iPhone.
Em termos de software, a experiência é limpa, o que significa a ausência total de recursos de Inteligência Artificial (AI) – um contraste gritante com as tendências de 2025. Há uma promessa de 4 atualizações de sistema operacional, mas isso fica aquém do oferecido por outros concorrentes principais.
O Preço Injustificável
O aspecto mais chocante do Sony Xperia 1 Mark 7 é o seu preço. Ele custa a quantia exorbitante de £1.400 no Reino Unido, sendo £200 mais caro que o iPhone 16 Pro Max. Embora venha com um brinde – um conjunto de fones de ouvido flagship da marca – o preço final não se justifica pelas especificações e inovações presentes (ou ausentes) no aparelho.
Apesar de tudo, é difícil criticar totalmente este telefone, pois ele cumpre a missão de manter viva uma certa “herança” da marca Xperia. Houve um tempo em que os telefones Xperia eram referência e definidores de tendências. Em 2025, a situação se inverteu. A Sony parece presa ao passado, lançando telefones apenas por obrigação, especialmente após terceirizar toda a sua fabricação.
Para que a Sony retorne com força ao setor de smartphones, sua liderança precisa abandonar a mentalidade antiga e criar dispositivos com uma perspectiva verdadeiramente nova. Eles já fizeram isso antes e podem fazer de novo.
Perguntas Frequentes
- O que diferencia a câmera telefoto do Xperia 1 Mark 7?
Ela possui uma lente de zoom contínuo física que permite ajustar o zoom entre 3.5x e 7.1x, com movimento visível da lente. - Qual é a principal desvantagem da tela?
A tela, apesar de ser LTPO de 120Hz, é limitada à resolução de 1080p e a tecnologia LTPO só reduz a taxa de atualização até 30 Hz. - Por que as bordas da tela são tão grandes?
As bordas maiores são necessárias para acomodar os alto-falantes frontais duplos, que melhoram significativamente a qualidade do áudio, especialmente em uso horizontal. - É possível carregar o aparelho rapidamente?
Não. O carregamento com fio é limitado a 30W e o carregamento sem fio a apenas 15W, considerados lentos para um flagship atual. - Qual a política de atualização de software?
O dispositivo oferece uma promessa de 4 atualizações de sistema operacional, o que é menos do que oferecido por outros concorrentes de ponta.






