O Fim do Metaverso Chegou

O Fim do Metaverso: Por Que a Grande Aposta da Meta Falhou?

É notável como a promessa do metaverso, tão exaltada em 2021 por Mark Zuckerberg ao rebatizar a empresa de Facebook para Meta, parece estar chegando ao fim. A expectativa era que este fosse o futuro da conexão humana digital, mas os acontecimentos recentes sugerem o contrário.

Em fevereiro de 2026, a própria Meta anunciou que o metaverso deixará de existir de forma definitiva. Essa reviravolta levanta questionamentos sobre a visão inicial e a execução desse projeto ambicioso.

A Visão Inicial do Metaverso

A ideia central do metaverso era conectar pessoas globalmente através da internet, utilizando avatares 3D e óculos de realidade virtual que, na época, pareciam equipamentos desajeitados. Para muitos, a execução do projeto sempre pareceu apressada e de qualidade inferior.

Essa impressão de algo “mal feito” ou “feito de qualquer jeito” era recorrente. Era como se o projeto não tivesse sido adequadamente trabalhado, falhando em entregar a experiência prometida. Essa “vibe de preguiça” ou execução incompleta, misturada com a falta de apelo prático, parece ter sido um prenúncio do seu fracasso.

O Fim Iminente e as Perdas Financeiras

O dia 16 de fevereiro foi marcado como o fim oficial de uma parte significativa desse ecossistema. A Meta confirmou que o **Horizon Workrooms**, uma peça central da sua estratégia de trabalho no metaverso, será descontinuado.

Além disso, a divisão **Reality Labs**, responsável pelo desenvolvimento de VR e metaverso, acumulou um prejuízo histórico. Fontes indicam que, entre 2021 e 2026, os gastos para manter o metaverso ativo chegaram à impressionante marca de **73 bilhões de dólares**. No último trimestre de 2025, o prejuízo era de cerca de 4 bilhões de dólares a cada três meses.

É compreensível que, diante de tais perdas, nenhum investidor sustentaria a aposta, por mais que confiassem na liderança da empresa.

O Fator Inteligência Artificial (IA)

Um fator crucial que acelerou o declínio do metaverso foi o surgimento avassalador da Inteligência Artificial. A IA, com sua rápida adoção e resultados tangíveis, rapidamente tomou o palco da inovação tecnológica.

O mercado, sedento por novidades que de fato trouxessem retorno financeiro e fossem práticas, migrou o foco para a IA. Observamos um excesso de produtos rotulados como “AI”, como notebooks com “AI” no nome, o que gerou até um certo cansaço no público e nos profissionais da área, como mencionado.

O fato é que a IA mostrou ser a tecnologia que traz lucro e retorno imediato, forçando a Meta a mudar sua estratégia. Hoje, a empresa está investindo pesadamente em uma abordagem **”AI first”**, comprando grande volume de servidores e infraestrutura de nuvem.

O Erro Estratégico dos Óculos VR

Um dos maiores erros estratégicos, na visão de muitos, foi a aposta em óculos de Realidade Virtual volumosos e caros, como o modelo **Quest**, que pareciam “trambolhos” ou “capacetes”.

Embora a experiência de testar óculos de realidade virtual possa ser empolgante, a aplicabilidade no dia a dia, especialmente no Brasil, é questionável. O uso prolongado gera desconforto significativo:

* **Custo:** Preço altíssimo.
* **Inconveniência:** Peso e incômodo na cabeça.
* **Calor:** O aparelho esquenta muito, causando suor intenso, o que inviabiliza longas sessões, especialmente em climas quentes. Para quem usa maquiagem, o problema se agrava com manchas no equipamento.

Por outro lado, os novos óculos **Meta RBAND Play**, com sua tela monocular e a pulseira **Neural Band** para gestos, são vistos como um desenvolvimento mais promissor. Um dispositivo que se assemelha a um óculos comum e permite interações discretas, sim, isso parece ser um caminho mais viável para a adoção.

Se a Meta tivesse focado em um produto mais discreto e integrado ao cotidiano, talvez o metaverso não estivesse sendo “enterrado” dessa forma.

Perspectivas Futuras

Embora a implementação do metaverso nos moldes atuais esteja findando, isso não significa que o conceito desapareça completamente. É possível que, com a evolução da tecnologia, como a vista no Meta RBAND Play, o metaverso passe por um *upgrade* ou uma evolução, tornando-se algo mais discreto e prático no futuro.

Por enquanto, a Meta concentra seus esforços onde o mercado está mostrando mais potencial: a Inteligência Artificial.

Perguntas Frequentes

  • O que causou o fim definitivo do metaverso da Meta?
    O fracasso em gerar adoção em massa devido ao hardware desconfortável e caro, combinado com a ascensão da Inteligência Artificial como foco de investimento prioritário da empresa.
  • Qual foi o prejuízo acumulado da divisão de metaverso da Meta?
    A divisão Reality Labs acumulou um prejuízo histórico de 73 bilhões de dólares entre 2021 e 2026.
  • É possível que o metaverso retorne no futuro?
    Sim, é possível que conceitos futuros do metaverso evoluam, talvez aproveitando tecnologias mais discretas como a apresentada no Meta RBAND Play.
  • Por que os óculos Quest foram considerados um “tiro no pé”?
    Eram caros, pesados, causavam desconforto físico (calor e suor) e não se integravam bem ao uso cotidiano.
  • Qual é o foco atual da Meta após o anúncio sobre o metaverso?
    A empresa mudou o foco estratégico para se tornar “AI first”, investindo pesadamente em inteligência artificial e infraestrutura relacionada.