O Google acaba de eliminar uma importante estratégia hacker

Uma atualização significativa, embora silenciosa, chegou ao Google Chrome e a outros navegadores baseados em Chromium. Trata-se de uma tecnologia chamada “device-bound session credentials” (credeciais de sessão vinculadas ao dispositivo). Embora o nome pareça técnico, o objetivo desta implementação é simples e eficaz: aumentar drasticamente a segurança das suas contas online contra o sequestro de sessão.

O problema: O roubo de cookies e o sequestro de contas

Há alguns anos, tornou-se comum o relato de contas famosas que eram repentinamente invadidas, levando à postagem de conteúdos indevidos ou transmissões ao vivo fraudulentas. Frequentemente, mesmo usuários que possuíam a verificação em duas etapas (2FA) ativa acabavam sendo vítimas.

Isso acontecia porque malwares específicos infectavam o computador da vítima e “roubavam” os cookies de sessão do navegador. Como esses cookies continham a informação de que você já estava autenticado, os invasores podiam simplesmente copiar esses arquivos para seus próprios computadores. O site, ao receber o cookie, entendia que o invasor era você e, dessa forma, bypassava a senha e a verificação em duas etapas, já que o “estado de login” havia sido transferido.

Como funciona a nova proteção

Com as device-bound session credentials, essa vulnerabilidade é combatida de forma inteligente. Agora, os cookies de sessão são criptografados e assinados digitalmente usando uma chave armazenada no chip TPM (Trusted Platform Module) do seu próprio computador. A regra de ouro aqui é: essa chave criptográfica nunca sai do módulo de segurança do seu hardware.

Na prática, quando um site utiliza essa tecnologia, ele cria uma espécie de “acordo” com o seu navegador: “Eu mantenho você logado, desde que você me prove que está no mesmo computador onde a sessão foi iniciada”. Se um hacker roubar seus cookies e tentar usá-los em outra máquina, eles serão inúteis, pois o computador do invasor não possui a chave física necessária para assinar a requisição e validar a sessão.

O que você precisa saber

Para aproveitar essa camada extra de segurança, alguns pontos devem ser considerados:

  • Requisito de Hardware: O seu computador precisa de um módulo TPM. Este é um dos requisitos para rodar o Windows 11, portanto, se você usa o sistema operacional mais recente da Microsoft ou um hardware moderno, provavelmente já possui o recurso.
  • Implementação pelos Sites: O recurso não é automático para toda a internet; o site precisa dar suporte a ele. O Google, por exemplo, já implementou essa proteção em seus serviços.
  • Navegadores: A tecnologia está presente no Google Chrome (a partir da versão 146) e deve funcionar em outros navegadores baseados em Chromium, como Edge, Vivaldi e Brave.

Como verificar se o recurso está funcionando

Você pode testar se um site (como a sua conta Google) está utilizando essa proteção seguindo estes passos:

  1. Abra o Chrome e acesse o site desejado.
  2. Pressione F12 para abrir as Ferramentas de Desenvolvedor.
  3. Vá até a aba Network (Rede).
  4. Atualize a página.
  5. Filtre por “app” ou “accounts”. Ao clicar na requisição correspondente, procure por uma seção chamada “device-bound” nos detalhes.

Caso não encontre, pode ser necessário realizar o logout e o login novamente no serviço para que o navegador gere uma nova sessão protegida por essa tecnologia.

Isso é uma solução definitiva?

Embora essa tecnologia encerre o método comum de “roubo de cookies”, não é uma fórmula mágica. Se um malware conseguir infectar seu computador e permanecer ativo, ele ainda pode realizar ações maliciosas enviando comandos diretamente da sua máquina enquanto ela estiver ligada e conectada à internet.

Apesar disso, a implementação é um grande passo à frente. Ela elimina a facilidade com que hackers removiam o acesso do proprietário original e tomavam controle total das contas remotamente. Manter a verificação em duas etapas continua sendo fundamental para garantir que, mesmo em cenários complexos, sua conta permaneça protegida.

Perguntas Frequentes

  • O que é o chip TPM mencionado?
    É um componente de segurança integrado ao hardware do computador que armazena chaves criptográficas, impedindo que dados sensíveis sejam extraídos.
  • É possível usar esse recurso no Windows 10?
    Sim, desde que o seu computador possua o hardware TPM e você esteja utilizando uma versão atualizada de um navegador compatível.
  • Preciso configurar algo no meu navegador?
    Não. A tecnologia é implementada automaticamente pelos desenvolvedores dos navegadores e pelos serviços web. Basta manter seu navegador atualizado.
  • Como saber se outros sites estão protegidos?
    Atualmente, o suporte depende da implementação de cada site. É esperado que plataformas maiores comecem a adotar esse padrão com mais frequência.