O Pixel 10 Pro XL é o celular versátil definitivo

Análise Detalhada: Google Pixel 10 Pro e 10 Pro XL

Após testes extensivos com o novo Google Pixel 10 Pro XL, em locais como Paris e Edimburgo, é possível notar que há muito a ser apreciado nesses dispositivos. Desde o design elegante e a tela vibrante até as câmeras, que são sólidas no geral, os modelos Pixel 10 Pro e 10 Pro XL cumprem a maioria das expectativas para um smartphone de ponta em 2025.

Eles são potentes o suficiente para a maioria das tarefas e introduzem uma série de novas capacidades de Inteligência Artificial (IA). No entanto, não são os modelos mais potentes do mercado, nem possuem as melhores câmeras isoladamente. A melhor forma de vê-los é como um “excelente faz-tudo” que não se destaca drasticamente em uma única área.

Design e Tela

O design do 10 Pro não mudou drasticamente em relação ao 9 Pro, o que é considerado positivo, visto que o modelo anterior já era um dos mais bonitos disponíveis. Não há necessidade de reformular completamente a estética anualmente.

As bordas de metal polido, a barra de câmera característica e o acabamento traseiro em vidro fosco continuam a conferir uma sensação premium e luxuosa. Além disso, a certificação de resistência à água IP68 permanece, o que é uma boa notícia para quem utiliza o telefone sob chuva intensa.

A tela do 10 Pro XL, com 6,8 polegadas, é brilhante, vibrante e facilmente legível tanto sob o sol forte do meio-dia em Paris quanto sob a luz mais suave de Edimburgo. Para quem prefere um dispositivo menor, o 10 Pro padrão oferece uma tela de 6,3 polegadas, com especificações muito semelhantes ao modelo XL.

Câmeras: Foco no Zoom Inteligente

Ambos os modelos Pro compartilham o mesmo conjunto de câmeras traseiras, composto por:

  • Câmera principal de 50 megapixels.
  • Câmera ultrawide de 48 MP.
  • Câmera telefoto com zoom óptico de 5x, também de 48 MP.

Em testes realizados em Paris, houve satisfação geral com a forma como a exposição e as cores foram capturadas. Em dias mais nublados em Edimburgo, os resultados foram ligeiramente diferentes.

Fotos capturadas com a câmera principal apresentaram ótimos detalhes e exposição. Contudo, ao utilizar a ultrawide, as imagens, embora com boa exposição, perderam nitidez nos detalhes ao aplicar zoom. Houve também a observação de um **excesso de nitidez** (oversharpening) em algumas fotos, resultando em um aspecto “crocante” que não é o ideal.

Por outro lado, o modo retrato se destacou, oferecendo um efeito *bokeh* natural e muito agradável.

O zoom óptico de 5x foi considerado um ponto ideal em termos de distância focal, pois permite encontrar composições mais interessantes na cena observada. As imagens capturadas com este zoom mantêm o tratamento de cor e exposição da lente principal.

ProRes Zoom e IA Generativa

Para quem necessita de um alcance maior, o recurso ProRes Zoom entra em ação. A distância que ele consegue cobrir é notável. Em um exemplo, uma estátua distante, quase invisível na imagem da câmera principal, torna-se visível em 10x de zoom e preenche mais o quadro em 30x.

No entanto, em 30x, a imagem pareceu “pastosa” e com possível falha no foco. Acima de 30x, a IA assume o controle, indo além do simples *upscaling*. Ela utiliza IA generativa para recriar detalhes. Ao atingir 100x, a estátua reaparece com texturas e até pequenas imperfeições visíveis, apesar da grande distância.

Isso levanta uma questão importante sobre a natureza da fotografia: se a IA está recriando detalhes, a imagem ainda é considerada uma foto autêntica? A empresa tomou a decisão inteligente de não aplicar essa IA generativa em fotos de pessoas, visando evitar representações imprecisas.

À noite, a câmera continua performando bem. Imagens noturnas capturadas pela lente principal são claras, detalhadas e com ruído de imagem mínimo. Na ultrawide noturna, os detalhes são razoáveis, mas o processamento de imagem excessivo pode gerar o mesmo aspecto “crocante” observado durante o dia.

Ao capturar imagens em RAW e processá-las manualmente no Lightroom, ajustando com menos intensidade o *sharpening* e a clareza, o resultado foi uma imagem mais agradável, embora o trabalho pesado de captura da luz já tenha sido realizado pelo software do telefone.

Em resumo, a câmera é excelente, mas em alguns momentos, o processamento automático pode exagerar. Para fotógrafos profissionais que buscam a qualidade de imagem máxima, talvez existam opções melhores. Para os 95% restantes dos usuários, é uma ótima câmera que produz fotos belas em quase qualquer cenário.

Recursos de IA Integrados

O dispositivo está repleto de recursos de Inteligência Artificial. Estão presentes ferramentas conhecidas como Gemini Live, Gemini Advanced e Circle to Search.

O Gemini agora permite o compartilhamento de tela com a IA, permitindo que ela forneça informações sobre o que está sendo visualizado, seja na tela ou através da câmera. A precisão dessa funcionalidade variou, apresentando resultados úteis em alguns momentos e imprecisões em outros.

O Pixel Studio, lançado no Pixel 9, foi aprimorado. Ele agora gera imagens de pessoas, incluindo rostos conhecidos, e consegue incorporar texto preciso nas gerações, algo que a versão anterior não fazia. Diversos novos estilos de geração de imagem estão disponíveis, como o estilo *clamation*, vidro manchado e um estilo japonês tradicional *UKOA*. Essa ferramenta pode ser uma novidade divertida ou um recurso criativo útil para quem deseja explorar ideias visuais.

A IA se estende para outras áreas, como um novo recurso para tradução automática de voz durante chamadas telefônicas.

Outra adição é o Magic Q, que tenta exibir informações relevantes automaticamente durante uma conversa. A experiência com o Magic Q foi mista; embora tenha trazido informações úteis ocasionalmente, em outras, não realizou nenhuma ação. A limitação reside no fato de que ele só acessa dados de serviços específicos do Google, como Gmail, Google Calendar, Google Messages e Google Keep. Como a troca de mensagens ocorre majoritariamente via WhatsApp e outras plataformas de terceiros, que não são suportadas pelo Magic Q, seu uso pode ser restrito para quem não está totalmente imerso no ecossistema Google.

A câmera também inclui ferramentas de IA como Auto Best Take e Camera Coach. O Camera Coach analisa a cena e oferece sugestões guiadas sobre como melhorar a foto (por exemplo, sugerindo o modo retrato ou ideias de enquadramento). Embora útil para quem quer aprimorar suas habilidades fotográficas, o processo de seguir todos os passos pode ser lento e pouco prático para capturar momentos espontâneos.

O telefone opera com Android 16 puro, mantendo a fluidez e a intuitividade de seu antecessor. A empresa garante 7 anos de suporte de software e segurança, o que significa que o dispositivo será utilizável até 2032, se bem cuidado.

Desempenho e Bateria

O dispositivo é equipado com o processador Tensor G5 do Google, apoiado por 16 GB de RAM. Os chips proprietários do Google não são conhecidos por seu poder bruto, e o G5 não se destaca em *benchmarks*, ficando em patamares de desempenho de telefones do ano anterior, atrás de competidores de 2025 como o Galaxy S25 e o iPhone 16e.

Contudo, na prática, a maioria dos usuários não sentirá falta de poder no uso diário. O sistema é extremamente suave, a edição de imagens é rápida e até jogos exigentes como *Genshin Impact* e *PUBG* rodaram bem, mesmo com as configurações no máximo. A única lentidão observada ocorreu ao tentar tirar fotos de 50 MP em rápida sucessão, pois o obturador ficava inativo por alguns segundos para processar as imagens anteriores. Este é um uso nichado, portanto, não deve ser um problema significativo para a maioria.

Vida Útil da Bateria

Nos testes de estresse de *streaming* de vídeo, a bateria teve um desempenho aceitável, comparável a alguns telefones como o OnePlus 13, mas inferior a modelos como o Galaxy S25 e o iPhone 16 Pro.

No uso diário, a autonomia foi perfeitamente adequada, conseguindo suprir um dia inteiro de uso misto sem a necessidade urgente de recarga antes de dormir.

Um destaque é a implementação da tecnologia de carregamento sem fio Qi2, o padrão mais recente que promete velocidades mais rápidas com carregadores compatíveis. Além disso, o carregamento com fio é mais veloz, com o Pro XL suportando 45W de carregamento rápido.

Conclusão: Vale a pena a compra?

A nova linha Pixel 10 não representa uma grande revolução em relação à geração anterior. Se você já possui um Pixel 9 Pro ou até um 8 Pro, a atualização não se justifica.

Entretanto, para quem usa modelos Pixel mais antigos, outros telefones Android desatualizados, ou mesmo deseja mudar do ecossistema Apple, vale a pena considerar estes novos Pixels.

Embora não se destaquem em nenhuma área específica — e o desempenho poderia ser melhor —, eles também não decepcionam em nenhum aspecto importante. O *hardware* e o *software* foram aprimorados, resultando em uma ótima experiência geral para o dia a dia. Somados ao carregamento mais rápido e ao longo período de suporte de software, os Pixel 10 Pro e 10 Pro XL são, de fato, ótimas opções de Android para se considerar.

Perguntas Frequentes

  • Qual a principal vantagem de design dos novos Pixels?
    O design mantém a estética premium do modelo anterior, com bordas de metal polido e vidro fosco, o que é considerado um ponto positivo por não ter sido alterado anualmente.
  • Como funciona o zoom de 100x nos modelos Pixel 10?
    O zoom vai além do aumento óptico, utilizando IA generativa para recriar detalhes em áreas distantes, com resultados impressionantes para assuntos estáticos.
  • É possível usar a IA generativa em todas as fotos?
    Não. A Google afirmou que a IA generativa não será aplicada em fotografias que contenham pessoas, para evitar representações imprecisas.
  • Como é o suporte de software prometido para estes modelos?
    A Google garante 7 anos de suporte de software e segurança, o que mantém o telefone atualizado até o ano de 2032.
  • Por que o desempenho do Tensor G5 não é o melhor do mercado?
    Os processadores Tensor do Google priorizam recursos de IA em vez de poder bruto de processamento, o que os coloca atrás dos concorrentes de ponta em testes de benchmark.