O Primeiro Avião Supersônico Civil Americano Quebra a Barreira do Som

O Primeiro Voo Supersônico Civil do XB-1: Um Marco na Aviação

O XB-1 alcançou a velocidade supersônica, superando a velocidade do som no Mojave Air and Spaceport. Este evento marca um momento histórico, pois se trata do primeiro voo supersônico de uma aeronave civil desenvolvida de forma independente desde o Concorde.

Este artigo detalha a experiência e os procedimentos envolvidos neste voo pioneiro.

A Tripulação e o Suporte Aéreo

A bordo da aeronave XB-1 estava um piloto de testes com vasta experiência. Junto a ele, havia um ex-piloto de testes da Marinha, com considerável vivência em voos com jatos de alta velocidade e programas de testes de voo.

A missão contou com duas aeronaves de apoio, modelos T-38, que forneceram suporte aéreo a outro piloto envolvido no teste. As funções dessas aeronaves de apoio incluíam descarregar tarefas e manter vigilância visual externa da XB-1. Caso surgisse alguma anomalia, como um vazamento de óleo, as aeronaves de apoio seriam capazes de detectar imediatamente.

Entendendo as Leituras de Velocidade

Os instrumentos de voo exibiam a velocidade em *Mach*, onde Mach 1 representa a velocidade do som. Um valor residual de aproximadamente 65 nós, ou Mach 0.1, era mantido no display, pois os instrumentos de pressão possuem um limite mínimo de detecção. À medida que a aeronave acelerava, esses números aumentavam.

É importante notar que cada décimo de Mach corresponde a 10% da velocidade do som. Por exemplo, Mach 0.8 é 80% da velocidade do som.

O voo começou com a fase de decolagem e subida (*takeoff and climb out*), cujo objetivo principal era atingir a altitude e velocidade corretas para a entrada no corredor supersônico.

Durante a subida, a XB-1 atingiu 22.000 pés, com uma velocidade de Mach 0.79 (79% da velocidade do som). Nessa altitude e velocidade, a aeronave estava voando na velocidade de cruzeiro típica de uma aeronave comercial convencional, registrando 477 nós de velocidade verdadeira (*true air speed*).

A Tecnologia dos Inlets Supersônicos

As turbinas dos motores a jato não operam bem com fluxo supersônico. Por isso, os *inlets* (entradas de ar) das aeronaves supersônicas, como caças e a XB-1, são projetados especificamente para gerenciar e controlar as ondas de choque. Esse controle é essencial para desacelerar o ar de velocidades supersônicas para subsônicas antes que ele entre no motor, garantindo que o motor receba ar em um fluxo adequado, mesmo que a aeronave esteja viajando em velocidade supersônica.

Conexão e Transmissão de Dados em Alta Velocidade

Para capturar imagens de alta qualidade, como as que mostravam a XB-1 em voo, foi utilizado um equipamento notável nas aeronaves de apoio T-38: uma antena Starlink Mini, emparelhada com um plano de dados de aviação. Essa configuração permitiu velocidades de banda larga mesmo em Mach 0.88 e 31.000 pés de altitude, possibilitando as transmissões ao vivo da XB-1 enquanto ela se preparava para quebrar a barreira do som.

O Momento da Quebra da Barreira do Som

A aeronave manobrou em direção à área designada para o voo supersônico. Foi dada a autorização para acelerar em direção a Mach 1.1, com a ativação dos motores e *afterburners*.

A tensão era alta enquanto os números Mach na tela central subiam. A confirmação veio da sala de controle: a XB-1 estava supersônica.

Este foi um feito extraordinário, pois a XB-1 se tornou a primeira aeronave civil construída de forma independente a voar supersonicamente. O piloto responsável por este feito foi celebrado por toda a equipe.

Observou-se que, ao se aproximar de Mach 1, o número Mach apresentou uma breve hesitação em Mach 0.97, o que era esperado, pois os sistemas de dados aéreos podem ter dificuldade em processar o início da onda de choque. Pouco depois, o sistema indicou Mach 1.04, confirmando que a aeronave estava agora voando supersonicamente.

A Experiência do Voo Supersônico

Do ponto de vista da experiência física, não há sensação perceptível ao ultrapassar a barreira do som, nem mesmo quando se está viajando a velocidades próximas a 770 mph (cerca de 1240 km/h). A aeronave parecia excelente enquanto voava supersonicamente, iniciando os procedimentos de teste.

O voo supersônico proporciona uma perspectiva única: a velocidade é tão alta que cobrir a distância entre San Diego e Los Angeles, por exemplo, levaria apenas cerca de 10 minutos. Em tal velocidade, o sol parece se mover para trás no céu, dado o rápido deslocamento em relação à rotação da Terra.

A missão incluiu múltiplas passagens supersônicas, o que foi considerado um sucesso notável, especialmente considerando o combustível disponível.

Recuperação e Pouso

Após os testes supersônicos, a próxima fase da missão era a recuperação e retorno à base. Assim como no Concorde, a XB-1 opera com o nariz elevado (*nose high*) durante a aproximação em baixas velocidades, o que pode obscurecer a visão da pista pelo para-brisa.

Para contornar isso, a aeronave possui duas câmeras no trem de pouso do nariz. Quando o trem é baixado, o piloto pode visualizar a pista através de uma tela multifuncional, essencialmente voando o pouso através de um monitor de vídeo, similar ao que se espera ver em futuras aeronaves supersônicas.

O trem de pouso foi baixado no ponto de referência 2 *Mark* no ponto de pouso. A confirmação veio tanto do piloto quanto da sala de controle. A equipe completou o *checklist* de pouso, incluindo verificações de sistemas de combustível e outros parâmetros.

O pouso foi impecável: a aeronave tocou o solo exatamente sobre as marcações centrais da pista.

Após o pouso, enquanto a aeronave taxiava, uma filmagem por drone proporcionou excelentes vistas da aeronave. O piloto foi visto sorrindo ao sair do *cockpit* e cumprimentar o CEO da empresa, marcando o sucesso da missão, que foi descrita como a melhor performance supersônica já alcançada pela aeronave até então.

Perguntas Frequentes

  • O que define a velocidade supersônica?
    A velocidade supersônica é atingida quando uma aeronave se move a uma velocidade igual ou superior à velocidade do som (Mach 1).
  • Como os motores de aeronaves supersônicas lidam com o ar de alta velocidade?
    Os *inlets* (entradas de ar) são projetados para gerenciar ondas de choque, desacelerando o ar de supersônico para subsônico antes que ele chegue aos compressores do motor.
  • É possível sentir fisicamente quando uma aeronave ultrapassa a barreira do som?
    Não. A experiência física de cruzar Mach 1 em uma aeronave de alta performance é indetectável para os ocupantes.
  • Qual a importância do uso de câmeras no trem de pouso para aeronaves com nariz elevado?
    Em aeronaves supersônicas, o nariz alto durante o pouso bloqueia a visão direta da pista, tornando as câmeras essenciais para que o piloto tenha uma visão clara através de um monitor.
  • Qual a tecnologia que permitiu transmissões de dados em tempo real durante o voo supersônico?
    Foi utilizada uma antena Starlink Mini conectada a um plano de dados de aviação, fornecendo banda larga mesmo em altas velocidades e altitudes.