O Futuro dos Smart Rings: Tecnologia Promissora, mas em Risco de Desaparecimento?
Se você, assim como muitas pessoas, sofre com alergias ou reações cutâneas ao usar relógios ou qualquer dispositivo em contato prolongado com o pulso, a ideia de um anel inteligente (smart ring) surge como uma alternativa tentadora. A dermatite de contato, frequentemente agravada pelo suor, pode tornar o uso de smartwatches insuportável, causando inchaço, descamação e coceira intensa.
Para aqueles que buscam as funcionalidades de saúde e acompanhamento físico oferecidas pelos dispositivos de pulso, mas não se adaptam a eles, os anéis inteligentes parecem ser a solução perfeita. Eles entregam recursos importantes de saúde em um formato discreto. No entanto, nos últimos anos, observamos um movimento preocupante no mercado, com grandes marcas sinalizando um possível abandono ou estagnação nessa categoria de produto.
A questão que se levanta é: será que os anéis inteligentes estão morrendo? Será que essa tecnologia, que parecia tão promissora, na realidade não será tão viável quanto imaginávamos?
O Dilema do Anel Inteligente no Mercado Atual
Apesar da existência de diversas fabricantes investindo em anéis inteligentes, com a intenção clara de capturar o público que rejeita smartwatches, a realidade do mercado mostra uma concentração perigosa.
De forma geral, a única marca que podemos considerar verdadeiramente consolidada nesse nicho é a Oura, que já lançou quatro versões do seu anel inteligente. Embora outras marcas tenham entrado no jogo – mencionamos a Samsung, a Huawei, e até mesmo a Amazfit –, a visibilidade e o investimento parecem ter diminuído recentemente. A Samsung, por exemplo, gerou grande expectativa com o anúncio do Galaxy Ring, mas até o momento, a ausência de novidades concretas sugere que talvez a empresa tenha recuado ou adiado seus planos.
Essa hesitação das grandes empresas deve-se a uma série de fatores, incluindo as limitações inerentes ao formato do anel.
Comparando Smartwatches e Smart Rings
A proposta do anel inteligente é ser um smartwatch com menos funcionalidades, focado principalmente em monitoramento de saúde. Em contraste, o smartwatch é um dispositivo muito mais completo, funcionando quase como um “computador de pulso” ou “celular de pulso”.
Com um smartwatch, você tem uma tela que permite:
- Visualizar notificações e ler mensagens com facilidade.
- Atender chamadas, pois possui microfone e caixa de som integrados.
- Acompanhar atividades físicas, monitorar calorias e, claro, os dados de saúde.
Para muitas pessoas, isso significa poder sair de casa sem o celular e ainda ter conectividade básica garantida, especialmente em modelos com conectividade celular (LTE).
Já os anéis inteligentes focam primariamente na saúde:
- Frequência cardíaca.
- Oxigenação do sangue (o que, no meu caso, ajudou a detectar problemas de respiração durante o sono, como apneia).
- Variabilidade da frequência cardíaca.
- Análise detalhada do sono (fases REM, profundo, leve, tempo acordado, etc.).
Embora o acompanhamento de saúde seja excelente, a limitação de não possuir tela ou capacidade de comunicação direta torna o anel um complemento limitado em comparação ao smartwatch quando se trata de atividades diárias e comunicação.
As Limitações Técnicas dos Anéis Inteligentes
As restrições de tamanho e formato do anel criam desafios significativos para o desenvolvimento:
1. Acurácia na Contagem de Passos
O maior problema técnico encontrado nos testes com anéis inteligentes foi a imprecisão na contagem de passos. O movimento de gesticular muito ao falar ou simplesmente mover os braços é frequentemente interpretado como um passo real. Em testes comparativos, um dia de conversa intensa resultou em uma contagem de 3.000 passos adicionais em um anel, enquanto o smartwatch registrava a média esperada.
Isso ocorre porque o dispositivo não consegue correlacionar melhor os dados, distinguindo movimentos aleatórios de passos consistentes, o que afeta métricas como atividade física e contagem de calorias.
2. Tamanho e Bateria
O formato miniaturizado impõe limitações claras no espaço disponível para sensores e, crucialmente, para a bateria. Embora alguns modelos tenham apresentado boa autonomia, a necessidade de equilibrar resistência do material com leveza é complexa. Além disso, por serem pequenos e selados, esses dispositivos são praticamente descartáveis, pois não permitem reparos ou troca de componentes como a bateria.
3. Ausência de NFC
Para muitos, a falta de NFC (Near Field Communication) é um “tiro no pé” gigantesco. A praticidade de pagar por aproximação diretamente do pulso (com um smartwatch) é uma das funcionalidades mais valorizadas. Em um anel, a funcionalidade de pagamento seria ainda mais prática, exigindo apenas um toque do dedo.
Embora se argumente que o NFC poderia ser desativado quando o anel é retirado do dedo (como ocorre com smartwatches travando o pagamento), a ausência dessa tecnologia impede o anel de atingir seu potencial máximo de conveniência.
O Declínio de Projetos Notórios
O histórico do mercado de anéis inteligentes está repleto de projetos que não deram certo, reforçando o ceticismo:
- Ecoloop (Amazon): Este projeto foi abandonado rapidamente. A principal falha relatada foi a vida útil da bateria, que durava apenas algumas horas, além de ter um assistente de voz (Alexa) frequentemente inaudível.
- Ringly: Voltado para o lado da moda e luxo, o Ringly se propôs como uma joia inteligente. O projeto fracassou, principalmente devido ao preço elevado e à falta de funcionalidades que justificassem o custo, seguindo um destino similar ao do anel da Amazon.
- Ring (Crowdfunding): Um dos exemplos mais notórios de falha. Este projeto levantou mais de 880 mil dólares através de crowdfunding, mas o produto final entregue aos apoiadores era quase inoperante, sendo classificado como um dos casos mais fraudulentos da história do financiamento coletivo.
Grandes players do mercado também se afastaram. A Apple, que chegou a registrar patentes para anéis inteligentes anos atrás, indicou que não pretende investir na categoria no futuro próximo. A Samsung, apesar de ter investido em uma primeira versão, não deu seguimento ao esperado Galaxy Ring 2.
Conclusão: O Anel Inteligente Ainda Não Está Maduro
Ainda que o anel inteligente seja extremamente confortável (muito mais que um relógio, inclusive), e ideal para quem sofre com alergias, a tecnologia atual ainda carece de precisão em métricas de atividade física e funcionalidades essenciais como o NFC.
No cenário atual, com poucas marcas investindo consistentemente e a principal referência (Oura) ainda apresentando falhas na contagem de passos, o anel inteligente não é o produto que eu recomendaria comprar neste momento. A tecnologia ainda precisa amadurecer e resolver suas limitações fundamentais para se consolidar como uma alternativa viável aos smartwatches.
Perguntas Frequentes
- O que torna o anel inteligente mais confortável que um smartwatch?
O anel é significativamente menor, não ocupa a área do pulso de forma ampla e, por isso, é mais confortável para uso contínuo, especialmente para quem tem sensibilidade na pele. - Qual é a principal falha de precisão dos anéis inteligentes?
A principal falha é na contagem de passos e atividades físicas, pois eles tendem a registrar movimentos manuais e gesticulações como se fossem passos reais, gerando dados inflacionados. - É possível realizar pagamentos por aproximação com anéis inteligentes?
Não. Até o momento, nenhum anel inteligente popularizado no mercado inclui a tecnologia NFC necessária para pagamentos. - Por que grandes empresas como a Apple e a Samsung parecem ter desistido dos anéis inteligentes?
O mercado enfrenta desafios como a dificuldade de miniaturizar sensores e baterias com boa longevidade, a falta de funcionalidades essenciais (como NFC) e a dificuldade em garantir a precisão dos dados de atividade física.






