Problema do Apple Vision Pro, Confissões do Táxi Zoox e Mais | Tech Therapy

Reflexões sobre o Futuro do Vision Pro e a Evolução da Tecnologia Pessoal

Esta semana trouxe notícias que geraram bastante discussão sobre o futuro de tecnologias emergentes. Um ano após o lançamento do Vision Pro, começam a surgir relatórios que indicam possíveis realinhamentos de foco da Apple, como o fechamento, pelo menos por enquanto, do projeto de óculos de Realidade Aumentada (AR glasses) da Bloomberg. Isso nos faz questionar: o que isso significa para o futuro do Vision Pro, especialmente sabendo que já havia notícias sobre a paralisação da produção de outros lotes?

O Vision Pro: Um Produto Futurista, Mas Problemático

O Vision Pro sempre foi um produto peculiar. Embora ainda pareça futurista e represente o que há de mais avançado em dispositivos de AR/VR, ele também é percebido como desajeitado e excessivamente caro. O preço inicial, que não foi ajustado, reforça a ideia de que não foi concebido como um produto de uso diário para o consumidor comum. Muitos usuários não têm um item de US$ 3.500 em casa, exceto este headset.

Apesar disso, há um futuro claro para ele.

Excelência Técnica e Conteúdo Escasso

Tecnicamente, o Vision Pro é considerado o melhor dispositivo de AR/VR disponível. Ele empurra os limites da tecnologia, especialmente com recursos como o rastreamento ocular (eye-tracking) extremamente refinado e a tela fantástica. A beleza da tela, embora muitas vezes subestimada ao ver apenas vídeos online, se torna evidente na experiência direta.

Um exemplo recente foi a experiência imersiva com o Kendrick Lamar, aproveitando o show do intervalo do Super Bowl, que demonstrou o potencial da plataforma. No entanto, o conteúdo disponível ainda é distribuído em um ritmo glacial. Não há uma biblioteca semanal de novidades que justifique a compra para uso contínuo.

Essa escassez de conteúdo é um dos maiores problemas. O dispositivo impressiona pelo seu potencial, mas a experiência imediata é limitada. Além disso, é um produto muito privado; a experiência compartilhada com outra pessoa é limitada, pois cada um vê seu próprio cinema pessoal, e a adaptação para usuários com óculos exige a compra de inserts com lentes.

Comparando com o Meta Quest, que custa muito menos e oferece anos de jogos e experiências divertidas, o Vision Pro ainda carece de aplicativos de destaque. Mesmo revisando as novidades, o conteúdo parece ser sempre o mesmo, com atualizações lentas. Isso se deve, em parte, ao número limitado de unidades vendidas e à dificuldade de portar jogos tradicionais que usam controles para um ambiente que depende primariamente de olhos e gestos.

O Caminho a Seguir para a Apple

O que a Apple deve fazer para manter esse projeto vivo? Será que o foco será apenas em um Vision Pro 2 com um chip melhor, ou a estratégia de óculos mais acessíveis virá depois?

Embora as notícias sugiram o fim de um tipo específico de óculos de AR (talvez aqueles que se parecem mais com óculos comuns e se conectam a um computador), isso não significa que a Apple esteja abandonando totalmente o conceito de smart glasses. A expectativa é que o Vision Pro 2 traga melhorias de hardware, mantendo o preço elevado, enquanto uma opção mais barata deve demorar mais.

Esperamos que as ideias interessantes introduzidas no Vision Pro influenciem outros produtos da Apple, como o iOS, mesmo que a interface do Vision Pro não “vaze” diretamente.

Para o futuro, há direções claras onde o investimento faria sentido:

* **Integração de Ecossistema:** A conexão perfeita com iPhone, Apple Watch e iPad é crucial. Atualmente, a falta de conexão com o iPhone é um ponto negativo notável, pois o celular é o dispositivo que todos possuem. O telefone poderia ser usado como um controle remoto ou para mover aplicativos para o espaço imersivo.
* **Controles Físicos:** A dependência de usar os olhos como mouse é frustrante para alguns. Há rumores de integração com controles PlayStation VR, o que permitiria transformar o Vision Pro em um dispositivo mais voltado para jogos, como o Quest.
* **Criação de Conteúdo:** O dispositivo deveria ser uma ferramenta melhor para trabalho criativo. Aplicações nativas como GarageBand ou ferramentas de escultura e pintura, que tiram proveito do espaço 3D, deveriam ser desenvolvidas pela própria Apple, mas ainda não chegaram.
* **Experiências Imersivas da Apple:** É surpreendente a ausência de um aplicativo como o Mapas imersivo, que seria fácil de implementar e permitiria “visitar” lugares remotamente.
* **Fitness:** A ausência de foco em fitness é estranha, considerando o investimento da Apple na área. Aplicativos de treinamento imersivo, como o Supernatural no Quest, poderiam ser um aplicativo matador, pois as pessoas já investem em academias e treinadores.

A Experiência com Taxis Autônomos

Mudando de assunto para outra área de tecnologia que exige muita confiança, a experiência com táxis autônomos, como o serviço da Zoox que está para ser lançado em Las Vegas, levanta questões sobre a confiança na automação.

Uma demonstração de um trajeto com o veículo autônomo revelou uma experiência inicial estranha, com música calma, tela de boas-vindas e a ausência de um motorista ou volante físico. A facilidade de usar o botão “Parar” ou “Ajuda” trouxe algum conforto, mas a falta de um mapa visual do percurso gera ansiedade.

A sensação é de estar em um brinquedo, como uma atração de parque temático, pois o veículo é muito comedido em suas manobras, como esperar pacientemente por aberturas para fazer uma conversão à esquerda. Isso contrasta com o caos e a imprevisibilidade do trânsito normal, como o tráfego noturno em São Francisco.

A grande questão é: como confiar em um sistema que não tem intervenção humana imediata? Embora os humanos tenham construído o código, a ausência de um motorista físico para tomar decisões rápidas em situações inesperadas gera insegurança. A ideia de reservar um espaço exclusivo para veículos autônomos, como uma faixa de táxi, parece uma solução para mitigar o caos inicial.

A Contratendência: Buscando o Simples no Presente

Em meio a essa corrida por tecnologias complexas e sempre conectadas (como smartwatches que não param de nos notificar), surge uma contracorrente. O retorno da Pebble, agora como um projeto de código aberto, e a popularidade de dispositivos mais simples como o Panic Playdate (um console portátil preto e branco) e leitores estilo Kindle, sugerem que há um desejo por experiências mais focadas e menos intrusivas.

Os smartwatches atuais, embora úteis para checar chamadas e pagamentos, são criticados por serem “pingadores” constantes e terem bateria curta. O sucesso da Pebble no passado estava em sua simplicidade, bom design e bateria duradoura.

Talvez a inovação futura não venha em mais IA ou conectividade, mas sim em como a tecnologia nos ajuda a nos desligar. Há uma busca por dispositivos que não nos lembrem constantemente de tudo o que está acontecendo no mundo.

Opera Earth: Mindfulness no Navegador

Neste contexto de ansiedade e sobrecarga de informação, o lançamento do Opera Air, um navegador com recursos de *mindfulness* embutidos — como sons calmantes, meditação e lembretes para respirar e se alongar — parece extremamente oportuno.

Isso levanta um debate: será que precisamos que nosso navegador nos diga para respirar enquanto estamos sob pressão de um prazo? É uma abordagem “Orwelliana” ou o próximo passo lógico na integração da tecnologia para gerenciar nosso bem-estar? Se o Apple Watch começou com lembretes para ficar em pé e respirar, por que não integrar isso em todas as nossas ferramentas?

Perguntas Frequentes

  • Como a situação do projeto de óculos AR da Apple pode afetar o Vision Pro?
    Embora o cancelamento de um projeto específico de óculos AR possa indicar uma realocação de recursos, ele também pode significar que o foco está agora na evolução do Vision Pro, priorizando essa plataforma de computação espacial.
  • Qual é a principal crítica ao dispositivo Vision Pro atualmente?
    A principal crítica reside no seu preço elevado, que o impede de ser um produto de uso diário, e na escassez de conteúdo novo e relevante sendo lançado para a plataforma em um ritmo satisfatório.
  • Por que a experiência com táxis autônomos pode ser desconfortável para alguns usuários?
    O desconforto surge da falta de controle visual sobre o trajeto (ausência de mapa ou visão frontal clara) e da necessidade de confiar cegamente nas decisões do software em um ambiente de tráfego caótico, sem a presença de um motorista humano.
  • Qual a relevância do ressurgimento de dispositivos simples, como o Pebble?
    O interesse em dispositivos mais simples sugere uma fadiga da constante conectividade e notificação. As pessoas procuram experiências mais focadas, com melhor duração de bateria e que promovam mais “paz” do que estresse.
  • É provável que os smartwatches futuros incorporem mais IA e gestos?
    Sim, é esperado que os smartwatches evoluam com mais IA e gestos, mas isso também traz o risco de aumentar a quantidade de notificações e distrações, necessitando de um equilíbrio com a capacidade de se desconectar.