Robôs Humanoides Encontrados na Nvidia GTC e Alguns Que Não Vimos

Robótica em Destaque: O Que Aprendemos na NVIDIA GTC Sobre Robôs Humanoides

O evento NVIDIA GTC reuniu um impressionante conjunto de inovações em robótica, especialmente no campo dos robôs humanoides. A cobertura especial do evento destacou desde robôs nunca antes vistos, como o Neo Gamma, até rostos familiares que estão aprimorando suas capacidades, como o Digit, e empresas que estão liderando o avanço no setor.

Tivemos a oportunidade de conversar com líderes da indústria de empresas como Boston Dynamics, Agility Robotics, 1X e Disney para entender os desafios específicos que cada uma busca resolver, suas visões de futuro e as tecnologias que as apoiarão nessa jornada.

1X e a Jornada para a Autonomia com o Neo Gamma

A 1X apresentou seu robô Neo Gamma em um ambiente que simulava um lar, demonstrando tarefas como pegar um regador, posar para fotos com o público e aspirar o chão.

O cofundador e CEO da 1X, Bons Bernick, explicou que a demonstração combinou autonomia com operação humana, o que ele chamou de **”autonomia mista”**.

Ele detalhou a progressão esperada para a adoção em ambientes domésticos:
* **Fase Inicial (Teleoperação):** Nos primeiros dias em casa, haverá muita teleoperação. O objetivo é “bootstrap” (dar o pontapé inicial) para que o robô consiga executar a tarefa desejada com sucesso com frequência suficiente para ser útil.
* **Melhoria Autônoma:** Uma vez que o robô demonstre sucesso repetitivo na nova tarefa, ele começará a melhorar autonomamente, aprendendo com suas próprias falhas.

Bernick enfatizou que o que está sendo vendido em 2025 não é a “Rosie, a robô” definitiva, mas sim o **”início da jornada para a Rosie, a robô”**. Ele convidou aqueles que desejam participar dessa evolução, algo que ele mesmo almejava desde criança, a se envolverem no processo.

A 1X planeja que seu robô Neo custe menos que um carro e comece a ser entregue aos primeiros clientes pagantes ainda neste ano.

Agility Robotics e o Digit: Foco em Segurança e Tarefas de Logística

Ao lado, vimos o robô Digit da Agility Robotics executando uma ordem de trabalho contínua: pegar quaisquer três itens de uma prateleira, colocá-los em sua cesta e retornar.

Os itens na prateleira de mantimentos eram novidades, coletados localmente para simular uma variedade de produtos que o robô ainda não havia encontrado. Durante a execução, o Digit narrava cada etapa do processo através de sons característicos.

Em um teste adicional, foi explorada a capacidade de tradução de comandos, onde o robô descrevia as diferentes tarefas que estava realizando, como “standoff placing” (colocação de parada). Um detalhe notável foi a reação do robô ao “erro”, manifestada como uma “expressão triste” ao pegar a cesta.

O Digit é um robô robusto, já implantado em armazéns, muitas vezes trabalhando em turnos completos.

**Desafios de Segurança no Trabalho:**
Atualmente, por razões de segurança, o Digit fica confinado a espaços fechados, longe de funcionários humanos. A Agility Robotics espera mudar isso com futuros avanços. A empresa aborda a segurança através de dois sistemas paralelos:
1. **Sistema de Tarefa:** Focado em determinar a melhor forma de executar a tarefa.
2. **Sistema de Segurança:** Focado em garantir a segurança imediata.

Este lado de segurança utiliza inteligência artificial, incluindo o desenvolvimento de **detecção segura de humanos**, que a empresa planeja incorporar na próxima geração de robôs nos próximos 18 meses.

Boston Dynamics e a Aprendizagem por Reforço com Atlas

Embora o Atlas, da Boston Dynamics, não estivesse fisicamente presente no local, seu CTO, Aaron Saunders, estava presente e discutiu os avanços recentes do robô elétrico.

Um artigo informativo lançado na mesma manhã mostrava o Atlas executando manobras acrobáticas que aprendeu de uma nova maneira.

Saunders explicou o processo de aprendizado:
* **Captura de Movimento Humano:** Um operador vestido com um traje de captura de movimento executou as ações desejadas.
* **Geração de Política de Controle:** Essa referência de movimento foi introduzida em um *pipeline* de software que gera uma nova política de controle usando **aprendizagem por reforço**.
* **Implantação:** Essa política é então implantada no robô.

Este método permite ir de um único movimento capturado a uma política de treinamento de treinamento noturno, com o robô começando a operar de forma consistente na primeira tentativa.

Saunders pontuou que, no momento, o sistema ainda usa **políticas especialistas** (uma política para cada movimento, como andar ou fazer uma cambalhota). O próximo passo crucial para a comunidade de robótica é alcançar a **generalização**, criando **políticas generalistas**.

Disney e a Expressão Criativa com Robôs de Personagem

Por fim, a equipe se encontrou com uma empresa com longa tradição em robôs para contar histórias: a Disney. O robô BDX droid, que parecia ser um sucesso entre o público, é controlado remotamente por um operador que cria a personalidade e a performance que tornam esses personagens envolventes.

Morates Beecher, diretor associado de laboratório da equipe de robótica da Disney baseada em Zurique, observou que, embora um diretor criativo possa operar, personagens mais complexos exigem mais do que apenas dois joysticks e botões. Nesses casos, **mais autonomia é necessária**.

Beecher destacou um exemplo fascinante de autonomia na Disney: como os droids BDX aprendem a manter o equilíbrio autonomamente.

> “Não importa o que eu faça com os controles, eles não caem.”

Esse nível de autonomia proporciona uma interface mais agradável, permitindo que o operador se concentre no aspecto criativo, em vez de se preocupar com a estabilidade física do robô.

Apesar da tentação de buscar a autonomia máxima, a Disney foca em encontrar o **equilíbrio certo entre autonomia e operação** para maximizar a **expressão criativa humana** e a credibilidade dos personagens.

Os droids BDX também estão aprendendo a manter o equilíbrio sem intervenção direta. Beecher mencionou pesquisas futuras em desenvolvimento de humanoides, que serão abordadas em detalhes posteriormente.

O Futuro: Augmentação Humana em Escala

A visão geral apresentada é de um futuro onde a interação com máquinas será aprimorada por meio de abstrações, como formas, cores e imitação de emoções. Há um foco intenso em tecnologias de **escala humana**, construindo robôs com o tamanho, forma e força humana.

A meta principal não é deslocar a mão de obra diretamente, mas sim **aumentar e aprimorar** o que pode ser feito em um ambiente industrial ou facility.

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Perguntas Frequentes

  • O que é “autonomia mista” no contexto robótico?
    É uma abordagem que combina operação humana direta (teleoperação) com capacidades autônomas do robô para executar tarefas, permitindo um início de operação mais prático e gradativo.
  • Qual é o principal desafio que a Agility Robotics está abordando para a integração do Digit?
    O principal desafio atual é a segurança, especificamente permitir que o robô opere de forma segura em espaços compartilhados com funcionários humanos, o que eles buscam resolver com detecção segura de humanos.
  • Como a Boston Dynamics está gerando novas habilidades para o Atlas?
    Eles usam a captura de movimento de uma pessoa realizando a ação, que é então transformada em uma política de controle usando aprendizagem por reforço, que é aplicada ao robô.
  • É possível que robôs humanoides em breve custem menos que um carro?
    Sim, a empresa 1X projeta que seu robô Neo terá um custo inferior ao de um carro quando começar a ser implantado para clientes pagantes.
  • Qual é a filosofia da Disney sobre o nível de autonomia de seus robôs?
    A Disney foca em encontrar o equilíbrio ideal entre autonomia e operação para maximizar a expressão criativa humana e a crença do público no personagem, em vez de buscar a autonomia total como objetivo final.