Testei o 5G prioritário da Airtel e é um grande problema

No dia 19 de maio, a operadora Airtel introduziu o conceito de Priority 5G. Em essência, essa funcionalidade prioriza os usuários de planos pós-pagos em relação aos clientes de planos pré-pagos. A promessa é de que, quem utiliza planos pós-pagos, tenha uma experiência de conexão muito mais superior e estável. Mas será que isso gera uma diferença prática real? Como funciona a tecnologia por trás disso? E, acima de tudo, essa prática é justa?

Testando a Prioridade 5G na prática

Para entender o impacto real, foram realizados testes utilizando dois aparelhos idênticos (iPhone 17), um operando com um chip pré-pago e outro com um chip pós-pago da operadora. O aparelho pós-pago, inclusive, exibe explicitamente um indicador de AEL priority.

Os testes de velocidade foram conduzidos em diversos cenários:

  • Ambientes fechados e escritórios: Em locais como refeitórios, áreas de filmagem, subsolos e elevadores, os resultados foram mistos. Em algumas situações, o plano pré-pago apresentou velocidades de download superiores, enquanto em outras o pós-pago levou vantagem. As velocidades de upload e a latência mostraram diferenças desprezíveis nesses ambientes.
  • Locais de alta demanda: Ao levar os testes para áreas movimentadas, como estações de metrô e cruzamentos com tráfego intenso — onde a demanda por rede é maior —, a diferença ficou evidente. Nesses locais, o pós-pago apresentou velocidades de download e upload consistentemente melhores, confirmando a priorização da operadora em momentos de congestionamento.

Um ponto interessante observado é que, em locais onde o pós-pago apresentava mais barras de sinal, a diferença de velocidade em relação ao pré-pago era drástica, chegando a ser o dobro da velocidade em certos testes.

Como funciona a tecnologia?

Para compreender essa mudança, é preciso olhar para o histórico da infraestrutura 5G. Enquanto algumas concorrentes investiram em torres de 5G exclusivas desde o início (Standalone), a Airtel inicialmente optou por atualizar suas torres 4G existentes para suportar o 5G (Non-Standalone ou NSA).

Com o recente movimento para a infraestrutura Standalone, a operadora passou a utilizar um recurso chamado Network Slicing (fatiamento de rede). Essa tecnologia permite que a operadora fragmente a rede para priorizar usuários, velocidades e reduzir a latência sob demanda. É, basicamente, um sistema “VIP”: enquanto os usuários pré-pagos aguardam na fila comum, o tráfego de dados dos clientes pós-pagos é direcionado por um caminho livre e mais rápido.

É justo dividir os usuários?

Do ponto de vista comercial, é fácil entender a estratégia. Usuários pós-pagos geram uma receita mensal recorrente maior para a empresa. Ao criar uma diferenciação clara e uma experiência superior, a operadora incentiva a migração de clientes pré-pagos para o pós-pago, elevando o faturamento médio.

Por outro lado, do ponto de vista do consumidor, essa estratégia é controversa. Clientes pré-pagos não contrataram o serviço esperando uma conexão deliberadamente mais lenta ou menos confiável em comparação a outros usuários. Embora existam precedentes onde agências reguladoras intervieram para garantir a neutralidade da rede, a implementação técnica via Network Slicing torna a regulação dessa prática um desafio muito mais complexo.

Essa divisão entre os tipos de planos parece ser uma tendência que deve se consolidar no mercado, com a expectativa de que outras operadoras adotem medidas semelhantes em um futuro próximo.

Perguntas Frequentes

  • O que é o Priority 5G?
    É uma funcionalidade que utiliza o fatiamento de rede para dar prioridade de conexão aos usuários de planos pós-pagos durante momentos de tráfego intenso.
  • Por que o pré-pago fica mais lento?
    Em áreas congestionadas, a operadora direciona a maior parte da capacidade de banda para os usuários priorizados, fazendo com que o tráfego dos clientes pré-pagos seja processado de forma secundária.
  • A latência melhora com essa prioridade?
    Os testes mostraram que, embora a velocidade de download e upload seja superior no pós-pago em locais movimentados, a melhora na latência não é constante ou significativa em todos os cenários.
  • Como funciona o fatiamento de rede (Network Slicing)?
    É uma tecnologia 5G que permite criar “fatias” virtuais da rede, garantindo que certos tipos de tráfego ou usuários tenham recursos garantidos, independentemente do uso geral do sistema.