Usei os novos óculos e a pulseira neural da Meta

A Nova Geração de Óculos de Realidade Aumentada e a Tecnologia Neural no Pulso

O futuro dos óculos está em constante evolução e essa tecnologia está se expandindo para os nossos pulsos. Há um ano, foi apresentada uma versão avançada do que a Meta vislumbrava como a próxima geração de óculos de Realidade Aumentada (AR), denominada Orion. Este conceito incluía displays 3D, funcionalidade sem fio e uma interessante pulseira neural.

Surpreendentemente, um ano depois, partes desse conceito estão se tornando realidade. A pulseira neural e uma versão ligeiramente modificada dos óculos estão chegando ao mercado. Isso sugere um passo intermediário no caminho que a empresa planeja seguir a longo prazo.

Meta Ray-Ban Display Glasses e o Preço de Lançamento

Os óculos Meta Ray-Ban Display, previstos para chegar em 30 de setembro, custarão $799. Eles se assemelham a um par mais robusto dos óculos Ray-Ban tradicionais, mas com um visual bastante agradável.

Internamente, esses óculos abrigam um display monocromático, que funciona em conjunto com uma pulseira sem fio inclusa no pacote.

A Experiência Visual do Display

Uma das primeiras dúvidas era sobre a aparência do display, não para quem o usa, mas para quem está observando de fora. Existem várias empresas que têm integrado displays em óculos, muitas vezes sacrificando aspectos como duração da bateria ou resolução.

No caso dos óculos Meta Ray-Ban Display, o display possui um campo de visão pequeno, em torno de 20°, mas conta com uma densidade de pixels muito alta. Isso resulta em imagens nítidas e ricas, permitindo a visualização de aplicativos e outros conteúdos para rolagem.

O aspecto mais notável é que, do lado de fora, é impossível notar a presença de qualquer display. Não se consegue sequer identificar a *waveguide* (guia de ondas), que é a tecnologia geralmente usada para projetar a imagem do projetor lateral para a lente. As lentes parecem completamente transparentes de todos os ângulos, como um par de óculos comum.

Isso significa que, infelizmente, não é possível ver o que está sendo exibido quando alguém está usando os óculos.

Durante a demonstração, foi possível interagir com diversos aplicativos, tocar música, tirar fotos, participar de videochamadas e até mesmo dar zoom em fotos, aproveitando a visualização proporcionada pelo display. Mensagens de pessoas foram recebidas, ditado por voz foi utilizado, e surgiram receitas de IA e traduções ao vivo. Até foi possível ajustar o volume da música girando o dedo em um “dial” invisível.

A Pulseira Neural e a Eletromiografia (SEMG)

A pulseira neural utiliza a tecnologia de eletromiografia (SEMG), que basicamente detecta os impulsos neurais nos neurônios motores do pulso. Ela é capaz de registrar ações como toques, pequenos gestos de deslizar com o polegar e movimentos de rotação. Quando funciona, a tecnologia é realmente impressionante.

A interface pode ser um pouco confusa no início, exigindo que o usuário descubra qual gesto corresponde a um toque com um dedo específico, um toque com o outro, ou um movimento de rotação, e como sair de determinadas telas.

A Meta está planejando configurar áreas de demonstração em diversos pontos de venda. Contudo, a tecnologia não parece ser para todos. Atualmente, ela só é compatível com prescrições de até -4 graus, o que significa que não funcionou para quem tem um grau maior nos olhos.

Novos Modelos e Foco em Fitness

Além do modelo inicial, novos Meta Ray-Ban Bands estão a caminho, que devem gerar ainda mais interesse. Estes novos óculos oferecem o dobro da vida útil da bateria, totalizando 8 horas, e melhor qualidade de câmera, comparáveis aos óculos Meta Huetone Oakley lançados no verão.

Há também um modelo *wraparound* (envolvente) chamado Vanguard, também da marca Oakley, focado no público esportivo. Ele possui uma câmera montada centralmente com um campo de visão mais amplo e diversas opções de lentes polarizadas intercambiáveis. Embora não seja um estilo que todos usariam, é interessante do ponto de vista técnico. Os botões são posicionados para serem mais acessíveis durante a prática de esportes.

Estes óculos esportivos oferecem a mesma qualidade de captura de câmera dos outros modelos, mas introduzem recursos de rastreamento de saúde e fitness. Eles se integram com relógios Garmin para exibir frequência cardíaca, ritmo e outras estatísticas ao gravar um clipe de destaque. É possível sobrepor essas informações depois ou solicitar à Meta que exiba dados durante o exercício, como foi feito em uma demonstração em esteira.

Apesar da parceria com a Garmin ser promissora, ela ainda parece ter alguns ajustes a serem feitos. Fica a questão: onde estão Fitbit e Apple Watch nesta corrida? A Meta precisará resolver isso e integrar mais recursos de tecnologia de fitness e saúde em todos os seus produtos.

Atualmente, podemos esperar melhor duração de bateria e qualidade de câmera nos óculos Ray-Ban Display. Além disso, a Meta está explorando o potencial dos óculos de display e da pulseira neural, e veremos o que se desenvolverá nos próximos anos. É um território fascinante, ainda que um tanto estranho.

Recursos Adicionais e o Futuro da Tecnologia Neural

Outros pontos interessantes sobre os Meta Ray-Ban Displays incluem as lentes de transição embutidas, que escurecem ao ar livre, transformando-se em óculos de sol. Isso é crucial, pois ajuda na visualização do display sob luz solar intensa. Durante o teste sob o forte sol do Vale do Silício, a tela permaneceu muito legível.

A duração da bateria declarada é de 6 horas de uso misto, o que é muito mais do que o esperado, já que óculos de AR costumam durar cerca de uma hora. Ainda é preciso avaliar o quanto o uso do display afeta essa autonomia em testes completos.

Olhando para o futuro, além das questões de privacidade sobre a coleta de dados e como a IA se integrará a outros serviços (já que no momento depende da Meta AI), é fundamental entender como esses aplicativos irão interagir melhor com os telefones. Google e Apple também estão entrando neste espaço.

Outra questão importante é o potencial da pulseira neural a longo prazo. A Meta afirma que essa tecnologia será muito versátil e capaz de aprender com o usuário. Já foi demonstrado alguém escrevendo uma mensagem na própria perna, usando o dedo como se estivesse escrevendo no ar. Embora essa funcionalidade específica não tenha sido testada, levanta a questão: a tecnologia evoluirá para permitir digitação no futuro? Poderá aprender outros gestos?

A tecnologia neural também pode auxiliar na acessibilidade e mobilidade, pois a Meta sugere que ela pode funcionar para pessoas com controle motor limitado nas mãos ou até mesmo para quem não possui uma mão. Estas são incógnitas que só o tempo dirá. A tecnologia neural é um campo fascinante, e estamos apenas começando a ver uma pequena fração de seu potencial.

Para saber mais sobre como todos esses produtos funcionam, análises detalhadas serão publicadas em breve.

Perguntas Frequentes

  • O que são os óculos Meta Ray-Ban Display?
    São óculos de sol com um display interno monocromático e conectividade sem fio, que funcionam em conjunto com uma pulseira neural.
  • Como funciona o display?
    Ele utiliza uma tecnologia *waveguide* para projetar uma imagem com alta densidade de pixels, visível apenas para o usuário, e possui lentes de transição que escurecem sob luz solar.
  • Qual a principal função da pulseira neural?
    A pulseira usa eletromiografia (SEMG) para detectar impulsos neurais no pulso, permitindo ao usuário controlar os óculos com toques e gestos sutis dos dedos.
  • É possível usar os óculos com qualquer grau de visão?
    Atualmente, não. Eles são limitados a prescrições de até -4 graus.
  • Qual a diferença entre os modelos anunciados?
    Os modelos mais recentes prometem o dobro da bateria (8 horas) e melhor câmera, enquanto o modelo esportivo Vanguard foca em rastreamento de fitness integrado com dispositivos como Garmin.