Explorando os Robôs na CES: Autonomia vs. Controle Humano
O objetivo inicial era selecionar os melhores robôs apresentados na feira de tecnologia CES deste ano. Embora muitos robôs impressionantes estivessem presentes, incluindo alguns que parecem ter saído de filmes de ficção científica, outros se assemelham a brinquedos, e há aqueles projetados para parecerem quase humanos, a decisão de eleger um “melhor” ainda não pareceu correta.
A seguir, detalhamos as observações e o motivo pelo qual este artigo tomou um rumo diferente do planejado inicialmente.
A Experiência com o Uni Tree G1
A experiência mais divertida de todas foi com o robô humanoide Uni Tree G1. Foi o único robô humanoide na CES com o qual tive a oportunidade de interagir diretamente através de controle.
O controle remoto em si proporcionou uma sensação bastante natural e familiar, remetendo aos controles de videogames da juventude. A experiência de operá-lo foi comparável a um test drive de um carro muito sofisticado que, realisticamente, talvez nunca pudesse ser adquirido.
Autonomia em Demos Controladas
Outros robôs notáveis, como o Aptronics Apollo e o Digit da Agility Robotics, optaram por demonstrar suas capacidades de autonomia através de apresentações em ambientes controlados.
A autonomia é um marco fundamental para os desenvolvedores de robótica e um fator que torna esses produtos mais atraentes para empresas que buscam robôs operando com supervisão e intervenção humanas mínimas. Portanto, é compreensível que os fabricantes queiram destacar essa característica em um evento como a CES.
No entanto, devido à natureza caótica do salão da CES, com multidões intensas e ruído elevado, essa ênfase na autonomia acaba por distanciar esses robôs do público geral. Eles acabam parecendo mais obras de arte em um museu ou animais em um zoológico, em vez de ferramentas tangíveis ou tecnologia prática.
Embora algumas pessoas possam se sentir menos interessadas em robôs controlados remotamente, na minha perspectiva, isso os torna mais acessíveis. É semelhante à questão dos carros autônomos: muitas pessoas, inclusive eu, ainda têm reservas sobre a direção totalmente autônoma. No entanto, isso não impediu algumas montadoras de removerem completamente o volante de seus projetos. Pessoalmente, ainda prefiro ter um volante, a possibilidade de um humano assumir o controle quando necessário.
O G1 como Extensão Humana
Ficar “ao volante” do Uni Tree G1, por assim dizer, fez com que um robô humanoide se sentisse, pela primeira vez, como uma extensão da capacidade humana. Em vez de apenas observar de longe um robô autônomo executando tarefas que tradicionalmente seriam feitas por pessoas, eu pude controlar o robô diretamente. Isso permitiu aprender mais sobre seu funcionamento do que jamais conseguiria com todos os vídeos de demonstração polidos vistos ao longo dos anos.
A Ascensão dos Robôs Sociais
Havia uma categoria totalmente diferente de robôs na CES que eu classificaria como robôs sociais. Estes estão se afastando da estética industrial, metálica e de ficção científica, buscando se conectar com os humanos em um nível mais emocional, por meio da aparência e da conversa.
A Real Robotics tem a missão de tornar seus robôs o mais parecidos possível com humanos. Isso inclui um revestimento que imita a pele, motores na face para criar expressões e um sistema de visão capaz de focar e rastrear pessoas e objetos próximos.
O que realmente chamou a atenção durante a visita à Real Robotics foi a ideia de incorporar etiquetas RFID dentro das faces de silicone. Assim, ao remover uma face e colocar outra, o hardware e o software reconhecem aquela face específica e ajustam os movimentos e a personalidade da Inteligência Artificial para corresponder. Isso me fez perceber que esses robôs humanoides são, na verdade, muito parecidos com celulares e computadores: eles podem rodar diferentes sistemas operacionais, aplicativos e ser customizados para atender a gostos variados.
Outras empresas têm evitado a todo custo o “vale da estranheza” (uncanny valley), mas ainda buscam tornar seus robôs acessíveis, focando em uma aparência fofa e semelhante a brinquedos, uma atitude espirituosa ou um exterior de desenho animado.
Em resumo, a impressão é que a indústria da robótica, especialmente a robótica humanoide, ainda está em fase de maturação. Seja o destino final desses robôs o parque temático, o armazém, a casa ou outro local, o posto de destaque na categoria de robôs ainda está em disputa, e é por isso que não estou declarando um “melhor robô” na CES deste ano.
Perguntas Frequentes
- O que são robôs sociais?
São robôs que se concentram em criar uma conexão emocional com os humanos, utilizando aparência e conversação, em vez de focar apenas na estética industrial ou de ficção científica. - Qual a função das etiquetas RFID nas faces de silicone da Real Robotics?
As etiquetas RFID permitem que o hardware e o software do robô reconheçam a face específica que está sendo usada, ajustando automaticamente os movimentos e a personalidade da IA para coincidir com aquela face. - Como a experiência de controlar o Uni Tree G1 foi descrita?
A experiência foi comparada a dirigir um carro muito legal, sentindo o robô como uma extensão da capacidade humana, diferente de apenas observar demos de autonomia. - Por que a autonomia em demos controladas pode afastar o público?
Em ambientes caóticos como a CES, focar apenas na autonomia faz com que os robôs sejam vistos como exibições isoladas, em vez de ferramentas interativas. - É possível um robô humanoide rodar diferentes sistemas operacionais?
Sim, a comparação é feita com telefones e computadores, sugerindo que esses robôs podem executar diferentes sistemas operacionais e aplicativos, sendo customizáveis.






