A Proliferação de iPads e o Gerenciamento de Assinaturas Digitais
Neste artigo, vamos mergulhar em duas questões tecnológicas que têm impactado a vida digital de muitas pessoas: a quantidade de iPads que se tornam necessários (ou não) em nosso dia a dia e, de forma complementar, como lidar com a crescente montanha de assinaturas digitais. Exploraremos as novidades sobre os lançamentos recentes de iPads e compartilharemos a jornada para finalmente dominar o caos das subscrições.
O Dilema do iPad: Quantos são Suficientes?
Recentemente, o lançamento do novo iPad básico e do iPad Air reacendeu a discussão sobre o papel do iPad no ecossistema tecnológico. Para quem acompanha o mercado há tempos, desde o lançamento do primeiro iPad em 2010, percebe-se uma sensação de estagnação.
Embora a Apple tenha tentado transformar o iPad em um substituto de laptop, adicionando acessórios como teclados e implementando recursos de multitarefa, a realidade prática para muitos usuários é que o dispositivo permanece “o que ele é” e não se transforma em algo mais significativo em suas rotinas.
Em ambientes familiares onde iPads são usados, a função é frequentemente limitada ao consumo de conteúdo ou entretenimento, como viagens de avião. Para tarefas de trabalho mais sérias, a preferência recai sobre dispositivos com telas maiores ou laptops dedicados. Muitos usuários relatam que, inclusive, o smartphone acaba sendo usado mais para tarefas específicas e pontuais do que o próprio iPad.
A grande questão levantada é: quando investimos um valor significativo em um iPad de ponta, especialmente nos modelos Pro que se aproximam do preço de um MacBook, por que ele não se torna um substituto de fato para o laptop?
O fato de a Apple ter anunciado os novos iPads junto com os Macs, em vez de separadamente como em anos anteriores, parece indicar que a empresa optou por deixá-los coexistir, reconhecendo que cada linha tem seus pontos fortes:
- iPad: Vantagens claras como tela sensível ao toque, telas de altíssima qualidade nos modelos Pro e a capacidade de usar a Apple Pencil.
- Mac: Possui recursos que rodam melhor em diferentes contextos e oferece uma experiência de computação tradicional.
Como ambos os dispositivos de ponta podem facilmente ultrapassar a marca de US$ 1.000, surge a frustração de colecionar tantos *gadgets* caros em casa. A expectativa de que o iPad se fundisse com o Mac, aproveitando chips idênticos, tem sido adiada.
Felizmente, a existência de um iPad básico e mais acessível (cerca de US$ 350) é um alívio. Ele se encaixa no chamado “efeito Goldilocks”: é o dispositivo “na medida certa” para ser um complemento casual, talvez uma tela extra para as crianças, sem a pressão de ser uma máquina de trabalho completa.
A Crise das Assinaturas e a Perda da Propriedade Digital
Após a discussão sobre a acumulação de *hardware*, a transição natural é para a acumulação de *serviços*: as assinaturas.
Houve um momento de libertação ao cortar cabos de televisão e assinaturas de *streaming* como Netflix, Peacock e Paramount. No entanto, mesmo com a redução, a complexidade persiste.
A experiência de tentar assistir a um evento importante, como o Oscar, pode se tornar um verdadeiro pesadelo logístico, exigindo saltar entre plataformas (Disney+, Hulu, ABC.com) e diferentes dispositivos (TV, celular, laptop), apenas porque as empresas, sob o mesmo grupo controlador, insistem em fragmentar o conteúdo. Isso gera um sentimento de “jogo de cambalacho” em vez de integração.
Esse cenário recente levou a uma reflexão mais profunda sobre a propriedade digital:
A Ilusão da Propriedade de Conteúdo Digital
Um lembrete contundente de que não somos donos do conteúdo digital que pagamos foi a recente mudança de política da Amazon sobre eBooks do Kindle. A impossibilidade de baixar eBooks para o computador marca um ponto de inflexão. Pagamos por uma licença de uso, e não pela posse permanente do produto.
Isso levanta a preocupação: o que impede uma empresa de alterar ou deletar um livro digital a qualquer momento? Esse sentimento de desconfiança se estende a filmes comprados (como os que migram entre Apple TV e Movies Anywhere) e até mesmo aos jogos digitais, que podem desaparecer se o serviço for descontinuado ou se houver problemas com a conta.
Essa dependência da nuvem, onde a música se tornou majoritariamente dependente de assinaturas como Apple Music, transforma o usuário em um “zumbi” de dados, à mercê da nuvem.
Nostalgia no Mundo dos Brinquedos
Em um contraponto mais leve, houve uma visita recente a uma feira de brinquedos, revelando um forte foco em Nostalgia. Empresas estão revivendo brinquedos clássicos, como os Power Rangers com cabeças que viram (“flipping heads”), que eram fenômenos na década de 1990.
O termo que a indústria estaria cunhando é “Newstalgia”: reviver o passado, mas com um toque moderno. Vimos He-Man misturado com ThunderCats (Mattel) e até mesmo dinossauros renascendo em formatos interativos (Spin Master), como um T-Rex que “eclode” de um ovo, remetendo a fenômenos como os Hatchimals de 2016.
Embora a tecnologia ainda esteja presente — como em brinquedos com tecnologia de condução óssea que sussurram segredos no ouvido do usuário —, há um claro movimento de retorno ao tangível. O desejo por jogos de tabuleiro mais abstratos, com peças de madeira, cubos e esferas, sugere um cansaço da dependência excessiva de telas.
Apesar disso, a tendência de integrar tecnologia em jogos físicos, como o Monopoly que exige um aplicativo para gerenciar dinheiro via QR Code, mostra que a tentativa de fundir o mundo digital e o físico ainda persiste, mesmo que muitos prefiram a interação sem telas.
Perguntas Frequentes
- Qual a principal crítica sobre a evolução do iPad?
A principal crítica é a estagnação, onde, apesar das melhorias de *hardware* e introdução de recursos de multitarefa, o iPad não se consolidou como um substituto completo para o laptop para tarefas sérias. - Como o cenário de assinaturas digitais está afetando os consumidores?
Está gerando fadiga e frustração devido à necessidade de gerenciar múltiplos serviços, ao aumento dos custos e à falta de clareza sobre a localização e acesso ao conteúdo comprado (como filmes e eBooks). - O que significa o termo “Newstalgia” no mercado de brinquedos?
“Newstalgia” refere-se à tendência de relançar brinquedos e franquias antigas (como Power Rangers e He-Man), muitas vezes misturando-as com novas propriedades ou adicionando toques modernos. - Por que a mudança na política de eBooks da Amazon é preocupante?
A mudança, que impede o download de eBooks para o computador, reforça que os consumidores estão comprando apenas uma licença de uso, e não o conteúdo em si, deixando-os vulneráveis a alterações ou remoções futuras pela empresa. - É possível encontrar brinquedos que unem tecnologia e interações sem tela?
Sim, embora haja uma forte tendência de *gadgets* tecnológicos, há um crescimento de jogos de tabuleiro abstratos com peças físicas (blocos, esferas) e exemplos de integração tecnológica sutil, como uso de áudio ambiente via assistentes de voz durante o jogo.






