Análise do Nothing Phone 3: Um Flagship Misto com Pontos Fortes e Fracos
A empresa tentou elevar o patamar com o lançamento do Nothing Phone 3, posicionando-o como seu primeiro “verdadeiro flagship”. No entanto, com um preço de $799, o dispositivo apresenta um conjunto de características que o torna uma experiência bastante mista. Ele traz um processador mais potente, câmeras aprimoradas e um ano extra de suporte de software em comparação com os modelos mais acessíveis da marca. Contudo, algumas decisões de design peculiares e um desempenho que não corresponde totalmente às expectativas fazem deste aparelho um aparelho com elementos que agradam e outros que desapontam.
Design e o Controversa Glyph Matrix
A novidade de destaque no Nothing Phone 3 é, sem dúvida, a Glyph Matrix. Trata-se de uma pequena tela matricial redonda na parte traseira do telefone, capaz de exibir notificações, a hora ou até mesmo rodar pequenos minijogos. Embora a ideia seja divertida, seu escopo geral parece bastante limitado. Atualmente, sua função mais notória é permitir jogar “girar a garrafa”, algo que, convenhamos, pode não ser relevante para todos os usuários.
O ponto que mais incomoda é que a introdução da Glyph Matrix veio às custas das luzes Glyph originais que caracterizavam os modelos anteriores (Phone 1 e 2). As luzes LED brilhantes, que ajudavam os telefones anteriores a se destacarem visualmente, foram substituídas ou drasticamente reduzidas e incorporadas à minúscula matriz. Acredita-se que o estilo Glyph anterior e o novo display matricial poderiam coexistir no mesmo dispositivo, mas a escolha foi de substituir.
O design geral segue a estética da marca, com um painel traseiro transparente que dá a impressão de estar observando o “coração” do aparelho. Este visual mais “blocudo” é, em geral, apreciado.
No entanto, há elementos de design que causam irritação:
* A câmera telefoto está estranhamente descentralizada, posicionada muito mais próxima da borda do que o conjunto de câmeras principal logo abaixo dela. Isso visualmente parece incorreto, como um erro de montagem.
* Existe um semicírculo sob o flash que sugere a capacidade de acender, semelhante às luzes Glyph anteriores, mas ele permanece inativo. Isso levanta a suspeita de que era um plano original para acender, mas foi cortado na fase final como uma medida de contenção de custos.
Embora algumas dessas críticas possam ser consideradas “torcer demais os fios” (como a irritação com desalinhamentos de design ou o uso incorreto da palavra “less” em vez de “fewer”), a atenção aos detalhes é crucial, especialmente ao pagar um valor elevado por um produto tecnológico.
Desempenho das Câmeras
O módulo traseiro do Nothing Phone 3 possui três câmeras, todas com 50 megapixels de resolução: uma lente padrão, uma ultrawide e uma telefoto. De maneira geral, as câmeras são descritas como “razoáveis”.
Em boas condições de luz externa, a exposição da câmera principal é decente, com cores razoavelmente precisas e bom nível de detalhe. Em cenas com HDR, o resultado pode parecer um pouco artificial, com sombras excessivamente clareadas e destaques suavizados.
Com a diminuição da luz, o aparelho demonstra dificuldade no balanço de branco, tendendo a tons muito cianos, o que não reflete a realidade observada no momento da captura.
A lente ultrawide é adequada, mas ocasionalmente apresenta problemas de processamento de imagem, como a transformação da cor do cabelo de uma pessoa para o verde em um dos exemplos.
A lente de zoom consegue capturar fotos nítidas, mas frequentemente gera um estranho brilho ao redor dos sujeitos, remetendo a fotos antigas dos anos 80 tratadas com vaselina na lente.
O ponto alto do conjunto fotográfico é o seu modo macro. Conseguiu capturar excelentes fotos em close-up, superando rivais como o iPhone 16 Pro neste aspecto específico. Contudo, na maioria dos outros aspectos fotográficos, as câmeras são decepcionantes. Se fotografia for uma prioridade, recomenda-se buscar outras opções.
Processador e Bateria
O dispositivo é equipado com o processador Qualcomm Snapdragon 8s Gen 4. Embora seus *benchmarks* o coloquem em patamar de *flagships* do ano anterior (como o Galaxy S24), ele fica consideravelmente atrás dos modelos atuais (S25, iPhone 16, OnePlus 13).
Apesar do posicionamento inferior nos testes de desempenho, no uso diário, o telefone é ágil. Ele lida perfeitamente com jogos exigentes como *Genshin Impact* e *PUBG*, mesmo com as configurações máximas, indicando que para tarefas comuns e jogos, ele não decepciona em termos de usabilidade imediata.
A bateria de 5150 mAh utiliza a tecnologia de silício-carbono, que a empresa alega proporcionar maior longevidade. No entanto, nos testes de autonomia, a vida útil da bateria foi apenas média. Os resultados a posicionam abaixo de aparelhos como o S25 ou o OnePlus 13, e mais alinhada com o modelo mais barato da própria marca, o Nothing Phone 3A.
Software e Conclusão
O sistema operacional base é o Android 15, sobre o qual a Nothing aplicou sua interface, caracterizada por uma estética de monocrômia forte. Essa aparência é, em geral, agradável.
O telefone também inclui diversas ferramentas de Inteligência Artificial, como o Google Gemini, acessível por um toque longo no botão de energia. Contudo, o que realmente diferencia este aparelho é o Essential Space. Esta ferramenta funciona como um repositório para notas de voz e capturas de tela feitas ao longo do dia, facilitando a organização posterior. Embora seja interessante e possa ser útil para alguns perfis de usuário, não é um recurso exclusivo que justifique a escolha deste modelo em detrimento de outros.
O problema central é que tanto o Essential Space quanto a interface em preto e branco podem ser encontrados no modelo muito mais barato, o Nothing Phone 3A. Isso significa que não há nada de único no software que justifique o dobro do preço.
A empresa prometeu 7 anos de atualizações de software e segurança, o que implica que o aparelho deve ser utilizável até 2032.
Veredito Final
A tentativa de posicionar o Nothing Phone 3 como um *flagship* verdadeiro é arriscada e, a meu ver, não foi bem-sucedida. Embora possua componentes mais sofisticados que seus irmãos mais baratos, ele não entrega o desempenho de processador, câmera ou bateria esperados em sua faixa de preço, especialmente quando comparado com concorrentes como o iPhone 16, Galaxy S25 ou Pixel 9.
A Glyph Matrix, apesar de ser uma adição única, é vista mais como um *gimmick* do que um recurso valioso a longo prazo. Para justificar seu custo, a empresa deveria ter investido em melhor desempenho ou reduzido o preço em pelo menos $100.
Atualmente, este telefone é difícil de recomendar frente aos seus rivais. O conselho para a Nothing seria retornar ao foco que os consagrou: aparelhos com designs peculiares a preços acessíveis.
Perguntas Frequentes
- Como a Glyph Matrix se compara às luzes Glyph anteriores?
A Glyph Matrix é uma pequena tela matricial, enquanto os modelos anteriores utilizavam um sistema de luzes LED brilhantes. A Matrix substituiu as luzes originais, o que foi visto como uma desvantagem por alguns. - O que esperar da performance do processador Snapdragon 8s Gen 4?
Nos benchmarks, o processador se alinha com *flagships* do ano passado, ficando abaixo dos dispositivos topo de linha atuais, mas oferece desempenho satisfatório e rápido no uso diário e em jogos exigentes. - Qual é o ponto forte do sistema de câmeras do Nothing Phone 3?
O modo macro é o destaque, conseguindo capturar fotos em close-up de alta qualidade, superando concorrentes nesse aspecto específico. - É possível encontrar os recursos de software em modelos mais baratos?
Sim, o Essential Space e a interface de estética monocromática estão disponíveis no modelo Nothing Phone 3A, mais acessível. - Qual o compromisso de suporte de software oferecido?
A empresa prometeu um total de 7 anos de atualizações de software e segurança para o dispositivo.






