O Futuro da Siri da Apple: Navegando entre a Inteligência Artificial Conversacional e a Personalização
Quando a Siri foi introduzida pela primeira vez no iPhone 4S, a premissa era simples: conversar com o dispositivo. A Siri foi apresentada como uma assistente inteligente para realizar tarefas apenas por solicitação de voz. Sua estreia foi um marco, abrindo caminho para outros assistentes digitais.
No entanto, catorze anos depois, a Apple enfrenta um turbilhão de críticas sobre a Siri. Críticos apontam que ela está ficando para trás na corrida da Inteligência Artificial (IA) para se tornar uma assistente mais conversacional. A situação é agravada pelo fato de que, há um ano, a Apple exibiu em comerciais uma Siri mais personalizada, mas precisou adiar o lançamento desse recurso por não estar totalmente desenvolvido. Isso resultou em um processo de ação coletiva por publicidade enganosa devido aos atrasos.
Existem alguns caminhos possíveis para a Apple. Embora ainda haja um futuro promissor para os assistentes de voz nos iPhones, existe a preocupação sobre a direção que a empresa deve tomar sob a pressão de competir com outros produtos de IA, independentemente da qualidade real desses concorrentes.
Este artigo busca explorar as expectativas para o futuro da Siri e como o apetite do público por IA está mudando em meio a recentes desenvolvimentos no setor.
As Controvérsias Atuais e a Reestruturação na Apple
O cenário atual da IA tem gerado debates intensos. Ferramentas de geração de vídeo, como o recente modelo da Google (VEO), têm criado imagens perturbadoras, evidenciando a dificuldade crescente em distinguir ficção da realidade. Além disso, alertas importantes têm sido emitidos sobre o impacto no mercado de trabalho; o CEO de um grande laboratório de IA, a Anthropic, previu que a IA poderia eliminar metade dos empregos de colarinho branco de nível inicial, exigindo intervenção governamental para proteger os trabalhadores.
Apesar disso, a pressão midiática e dos especialistas em tecnologia para que a Apple se posicione rapidamente na corrida da IA é incessante. A questão central é: que tipo de IA os consumidores realmente querem ou precisam neste momento?
Relatórios recentes indicam incerteza dentro do campus da Apple, com a liderança da empresa tendo visões diferentes sobre como abordar a IA:
- Desenvolver uma IA nativa e um chatbot próprio?
- Ou focar em transformar a Siri em uma interface para controle de dispositivos?
Possivelmente, a abordagem será uma combinação de ambos.
Segundo informações divulgadas, o executivo que supervisionava a IA e a Siri na Apple, antes de se envolver com o projeto Vision Pro, tinha uma visão alinhada com a desconfiança de muitos consumidores em relação à inteligência artificial geral. Ele teria comunicado à sua equipe que os usuários não desejam que a Siri se torne um clone do ChatGPT, e que um dos pedidos mais comuns dos clientes é justamente a possibilidade de desativar funcionalidades baseadas em modelos de linguagem grandes.
O relatório também aponta que a Siri estava repleta de bugs, pois códigos antigos estavam em conflito com novas implementações que exigiam o uso de dados pessoais. Os atrasos nos recursos mais inteligentes da Siri e a cobertura negativa resultante levaram a uma reestruturação na gestão.
A Siri agora está sob a administração de Mike Rockwell, que liderou a equipe do headset Vision Pro. O executivo anterior ainda supervisiona as equipes de pesquisa de IA.
O Novo Rumo da Siri: Modelos e Integração com a Web
O relatório indica que a Apple está desenvolvendo um modelo totalmente novo para a Siri, baseado em um motor de modelo de linguagem grande (LLM), abandonando a tentativa de mesclar a nova IA com o código antigo da Siri. As equipes estão testando a precisão desse novo sistema para evitar “alucinações” de IA.
Com a nova liderança, a assistente pode se tornar mais parecida com um chatbot. Estão em discussão planos para permitir que a Siri acesse a web aberta, coletando e sintetizando dados de múltiplas fontes – criando, essencialmente, um chatbot da Apple.
Se a Apple buscar um caminho similar ao do ChatGPT, o foco será desenvolver um assistente que responda a qualquer coisa com base no que absorve da web, seja correto ou incorreto, e misture essa informação com detalhes sobre os hábitos de compra, localização e calendários do usuário.
Neste cenário, qualquer pergunta feita à Siri poderia ser hiperpersonalizada, semelhante às páginas “Para Você” das redes sociais, onde um algoritmo prevê o conteúdo que você gostaria de ver com base no seu perfil. A Siri poderia então presumir o melhor curso de ação ou a resposta que você deseja, com base no seu histórico de comportamento. Este é o caminho que outras empresas estão seguindo para criar o “assistente definitivo”.
Definindo o Futuro Desejado
É crucial refletir sobre o que exatamente se deseja da Apple neste momento. Que tipo de IA tornaria a vida melhor no seu iPhone? A ponto de influenciar a decisão de compra do seu próximo dispositivo?
É provável que haja muitas reclamações futuras sobre a Apple estar “atrasada” na corrida da IA, ou talvez que a abordagem da empresa seja fundamentalmente diferente da que o público está acostumado, como o que a OpenAI está desenvolvendo.
Existem diferentes níveis de IA:
- Você deseja que ela seja um pouco melhor em entender o contexto?
- Ou você quer que ela tome decisões por você?
Você prefere receber direções ou ser instruído sobre onde ir durante as férias? Você quer o controle de cruzeiro ou um carro autônomo?
O caminho da IA frequentemente é apresentado como algo que retira o controle do usuário, mas é comercializado como um facilitador de vida. Embora alguns não queiram ir tão longe, a decisão sobre o próximo passo da Apple pode ser influenciada pelo que os consumidores expressam – seja através do que valorizam, do que compram ou do que compartilham online.
Será que os consumidores realmente não querem que a Siri se transforme no ChatGPT, preferindo uma ferramenta que simplesmente organize as informações para que possam se dedicar a outras atividades? Ou o desejo por um assistente que planeja tudo por você prevalecerá?
Há uma analogia clássica: “A vida é o que acontece com você enquanto você está ocupado fazendo outros planos.” E se a IA começar a fazer os planos por você? Será que ainda estaremos vivendo plenamente?
Perguntas Frequentes
- O que motivou a reestruturação na gestão da Siri?
A gestão foi reestruturada após atrasos no lançamento de recursos importantes e uma onda de críticas negativas sobre a funcionalidade e a qualidade da Siri. - Qual é a principal mudança técnica no novo modelo da Siri em desenvolvimento?
A Apple está trabalhando em um novo modelo construído em um motor de modelo de linguagem grande (LLM), em vez de tentar mesclar a nova IA com o código antigo da Siri. - Por que alguns consumidores não querem que a Siri se torne um chatbot avançado como o ChatGPT?
Segundo relatos, um dos pedidos comuns dos clientes é a capacidade de desabilitar funcionalidades baseadas em modelos de linguagem grandes, indicando preferência por uma assistente mais focada em tarefas diretas. - É possível que a futura Siri acesse a web aberta?
Sim, há discussões sobre permitir que a Siri acesse a web para buscar e sintetizar dados de múltiplas fontes, o que a tornaria mais parecida com um chatbot. - Qual o risco da hiperpersonalização na nova Siri?
O risco é que, ao combinar dados da web com informações pessoais (calendário, hábitos), a Siri comece a assumir o que o usuário quer ou precisa, de maneira similar aos algoritmos de recomendação de redes sociais.






