Só Snapdragon é bom desmistificando os chipsets

Desmistificando a Preferência por Chipsets: Uma Análise Detalhada

Recentemente, surgiu um comentário levado ao nosso conhecimento de que nossa análise sobre chipsets seria enviesada, sugerindo que sempre desqualificamos os chipsets que não são Snapdragon e elogiamos excessivamente os da Qualcomm. Queremos aproveitar este espaço para esclarecer essa percepção, detalhando como realmente encaramos o mercado de processadores móveis.

A Origem da Confusão

A alegação era que apenas falamos mal de MediaTek e elogiamos apenas Snapdragon. É importante ressaltar que essa afirmação é totalmente infundada. Nós, de fato, testamos e utilizamos dispositivos com ambos os tipos de processadores diariamente.

Recentemente, elogiamos um tablet com chipset MediaTek (o Galaxy Tab S11 Ultra, por exemplo), o que gerou uma certa dissonância na percepção de algumas pessoas, levando a esse tipo de comentário.

O Contexto de Desempenho e Preço

A discussão sobre qual chipset “presta” ou não geralmente surge no contexto de comparação, especialmente quando analisamos aparelhos recondicionados ou mais antigos.

Se olharmos para celulares de cinco anos atrás, encontrados por um valor baixo hoje, podemos encontrar processadores antigos da Rockchip, MediaTek, Exynos ou Snapdragon. Naquela época, a Qualcomm, com seus Snapdragon, entregava chips relativamente avançados e acessíveis.

Com o passar do tempo, a Qualcomm começou a cobrar preços elevados pelos seus processadores topo de linha. Hoje, um Snapdragon de ponta é caro, assim como um Intel Core i9 ou um novo processador de última geração.

Enquanto isso, a MediaTek progrediu significativamente, oferecendo processadores potentes em faixas de preço intermediárias. É mais prático e vantajoso, muitas vezes, optar por um MediaTek potente com preço intermediário do que um Snapdragon focado no segmento intermediário com um custo elevado.

Elogiando a MediaTek: Uma Trajetória de Evolução

É fundamental desmentir a ideia de que não elogiamos a MediaTek. Já elogiamos essa fabricante inúmeras vezes neste blog. Reconhecemos que a MediaTek já produziu chipsets ruins no passado, mas hoje ela é uma excelente fabricante de processadores para celulares, tablets e outros dispositivos. Se for MediaTek, geralmente é uma boa compra.

Processamento Local e Inteligência Artificial

Um ponto que pode gerar confusão é a análise de recursos baseados em Inteligência Artificial que rodam localmente (offline). Testamos esses recursos em diferentes plataformas, e o poder de processamento offline, especialmente em modelos menores de IA (SMLs, em vez de LLMs), pode variar.

Por exemplo, ao testar recursos de IA embarcada em câmeras (como o Moto AI), percebemos que o processamento local, feito no próprio dispositivo, tem um poder considerável, e isso se aplica a qualquer chipset, seja MediaTek ou Snapdragon.

É importante lembrar que testar recursos que funcionam apenas offline é irrelevante se o uso principal do dispositivo for online. Além disso, esperar que recursos de IA funcionem com a mesma capacidade offline é irrealista, pois o processamento é naturalmente mais limitado.

A Questão dos Wafer e a Lotería do Silício

Para entender melhor a fabricação de chips, é útil observar um wafer de silício, que é a base onde múltiplos processadores são gravados. Este material, derivado da areia (silício bruto), é refinado e trabalhado.

Um ponto crucial no processo produtivo é a **litografia**, que mede o tamanho dos transistores gravados no chip (em nanômetros). Quanto menor a litografia, mais transistores cabem, resultando em maior desempenho e eficiência energética.

Em um wafer, nem todos os processadores saem perfeitos. Devido ao processo de recorte e fragilização das bordas, alguns chips podem apresentar defeitos.

Isto nos leva ao conceito de **”Golden Processors”** ou a “loteria do silício”. Devido a variações mínimas no processo de gravação a laser sobre o wafer, alguns processadores podem atingir uma performance superior e mais estável (melhor eficiência energética e desempenho) do que outros do mesmo modelo. Esse chip “de ouro” é o mais refinado e procurado por entusiastas.

Isso ocorre em todos os fabricantes, seja Snapdragon, MediaTek, Rockchip, HiSilicon (Huawei) ou Apple Silicon.

Análise das Fabricantes de Chipsets e GPUs

É um erro crer que apenas Snapdragon presta, pois outras empresas também enfrentaram desafios em gerações passadas:

* **Qualcomm Snapdragon:** Houve uma grande crise com o Snapdragon 810, que superaquecia, levando a LG a usar o 808 no G Flex. O 820 trouxe alguma recuperação, mas ainda com aquecimento.
* **Exynos (Samsung):** A Samsung também teve problemas com gerações antigas de Exynos, muitas vezes devido à tentativa de miniaturização excessiva para competir em litografia, resultando em dissipação de calor ruim ao tentar encaixar muita potência em um espaço pequeno.
* **Intel e AMD:** Ambas as empresas, historicamente fortes em PCs, também passaram por fases difíceis. A AMD teve a época dos processadores FX (como o FX 6300), que eram conhecidos por aquecerem muito.
* **NVIDIA:** Assim como outras, a NVIDIA já teve placas de vídeo com problemas notórios no passado.

As fabricantes de chips utilizam a técnica de chiplets (pequenos processadores trabalhando em conjunto) ou empilhamento para formar um processador maior e mais potente (como os chips Max da Apple ou placas de vídeo da NVIDIA). Se um setor falhar, ele pode ser desativado, permitindo que o produto menor (ex: de 12 setores para 8) seja vendido como uma versão inferior, mas ainda funcional.

A Liderança na Fabricação

É importante notar que, embora muitas marcas projetem seus chips (Apple, NVIDIA, Qualcomm, AMD), quem está na ponta da tecnologia de miniaturização e fabricação de ponta (como 3nm e visando 2nm) é a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company).

Empresas como Apple, NVIDIA e AMD são fabless (sem fábrica) e compram os processos mais avançados da TSMC. A Intel, embora tenha suas próprias fábricas, ainda não é líder na miniaturização extrema que a TSMC domina.

Conclusão: A Escolha Certa para Você

Em resumo, nunca afirmamos que “só Snapdragon presta”. O que fazemos é comparar o desempenho de um chipset em relação ao seu custo e ao segmento em que ele se insere. Um Snapdragon topo de linha pode ser melhor que um MediaTek de entrada, mas um MediaTek de ponta pode superar um Snapdragon intermediário.

O melhor processador é aquele que atende às suas necessidades e ao seu orçamento. Não adianta ter o chip mais potente se ele superaquece ou tem bateria insuficiente para a sua demanda. Analise as informações, pesquise opiniões diversas e tire suas próprias conclusões.

Perguntas Frequentes

  • O que significa litografia no contexto de processadores?
    Litografia refere-se ao tamanho dos transistores gravados no chip, medido em nanômetros. Quanto menor o número, mais transistores cabem, geralmente resultando em melhor desempenho e eficiência.
  • O que são “Golden Processors” na fabricação de chips?
    São processadores, fabricados no mesmo wafer de silício, que, devido a uma qualidade de fabricação excepcionalmente alta, alcançam performance superior e mais estável que a média dos outros chips do mesmo lote.
  • Por que a MediaTek evoluiu tanto nos últimos anos?
    A MediaTek investiu em gerações de chipsets potentes, especialmente no segmento gamer, oferecendo excelente desempenho em faixas de preço intermediárias, o que forçou a concorrência.
  • Qual empresa é líder na fabricação de chips de ponta atualmente?
    A TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) é a líder na fabricação de chips com as menores litografias (como 3nm e avançando para 2nm) para a maioria das grandes empresas de tecnologia.
  • Qual a importância de considerar o contexto de preço ao comparar chipsets?
    A comparação justa exige um viés de custo-benefício. Um processador mais caro pode ser tecnicamente superior, mas um modelo mais acessível pode oferecer a melhor experiência para o uso cotidiano do consumidor.